Benjamin Freitas havia encomendado alguns dos pratos preferidos de Valentina Lacerda no restaurante que ela mais gostava e os levou embalados para o hospital.
Assim que entrou na sala de visitas ao lado do quarto, ouviu risadas vindas de dentro.
Através da janela de observação, pôde ver quem estava lá dentro.
Valentina Lacerda, que já fazia tempo que não lhe sorria, parecia radiante ao lado de Marcos Dourado.
Benjamin Freitas ficou parado do lado de fora por um longo tempo.
Observou Marcos Dourado servindo canja e escolhendo os melhores pedaços de comida para Valentina Lacerda, sem esconder nos olhos um sentimento profundo, encarando-a com ternura, declarando repetidas vezes o que sentia, mesmo sem receber qualquer resposta.
Ele invejou Marcos Dourado.
Invejou a possibilidade de estar ao lado de Valentina Lacerda, de poder cuidar dela daquela maneira.
Benjamin Freitas olhou para o que havia trazido.
Mesmo que entregasse a comida, provavelmente ela nem olharia, talvez jogasse tudo no lixo.
Deixou pra lá. Ela ainda estava doente; não queria fazer nada que a deixasse mais aborrecida.
Colocou as embalagens sobre a mesinha de centro da sala de visitas e saiu do quarto.
Quando a enfermeira passou para fazer a ronda, viu a sacola de comida do lado de fora.
Pegou o embrulho e bateu à porta do quarto.
Marcos Dourado se levantou para atender.
— Srta. Lacerda, isso estava na sala de visitas. Trouxe para você.
Valentina Lacerda olhou para a embalagem; era do restaurante de que tanto gostava.
Quanto a quem havia comprado aquilo, mas não lhe entregou pessoalmente, Valentina Lacerda já tinha uma boa ideia de quem era.
— Obrigada.
Valentina Lacerda respondeu com um leve sorriso.
Marcos Dourado recebeu a sacola da enfermeira e a deixou de lado, sem dar muita importância.
A enfermeira terminou a ronda e saiu do quarto.
Ninguém tocou mais no pacote esquecido no canto, como se nada tivesse acontecido.
Por insistência de Valentina Lacerda, Yasmin Teixeira e Marcos Dourado não puderam ficar para acompanhá-la. Quando os dois partiram, o quarto finalmente ficou em silêncio.
Talvez por ter dormido demais durante a tarde, Valentina Lacerda não sentia sono naquele momento.
A noite estava tranquila. Ela se recostou na cama, olhando para a própria barriga.

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