Vicente Domingos era conhecido no meio como um velho tarado, mas, ironicamente, ocupava o cargo de vice-diretor no Instituto do Patrimônio Histórico. Para conseguir aprovar a documentação sem complicações, era impossível não passar por ele.
Ao perceber que Valentina Lacerda estava sendo alvo de Domingos, Yasmin Teixeira se levantou imediatamente com sua taça e foi até Valentina, colocando-se entre ela e o homem.
— Diretor Domingos, isso é um desprezo comigo? O que houve? Não posso brindar com o senhor?
Os olhos maliciosos de Vicente Domingos deslizaram pelas longas pernas de Yasmin Teixeira.
— O vinho da Sra. Teixeira, claro que aceito.
Dizendo isso, ele mesmo encheu generosamente seu copo de cachaça.
— Sra. Teixeira, minha parte está feita. Agora quero ver a sua disposição!
Yasmin olhou para o copo transbordando e praguejou mentalmente.
— Diretor Domingos, o senhor tem fama de aguentar bem, então vou arriscar tudo para não decepcioná-lo.
Ao terminar, ela lançou um olhar significativo para Valentina.
— Vá sentar lá no meu lugar. Hoje vou brindar com o diretor Domingos até o fim.
Valentina conhecia bem o limite de Yasmin para bebidas, ficou preocupada, mas sabia que não poderia fazer nada naquele momento.
Preparando-se para sair e ligar para Marcos Dourado, foi interrompida pelo barulho do copo de Domingos batendo forte na mesa.
— Dra. Lacerda, está me menosprezando? Nem um gole comigo?
Yasmin logo se adiantou, sorrindo para explicar.
— De maneira nenhuma, diretor Domingos. Valentina não bebe, tenho receio que acabe estragando sua noite. Deixe que eu o acompanho.
Ergueu o copo e, sem hesitação, virou toda a cachaça de uma vez.
Era uma dose forte, e mesmo alguém com bom preparo sentiria o efeito.
Yasmin terminou de beber e cambaleou para trás.
— Yasmin! — Valentina se levantou, apoiando a amiga.
— Estou bem.
Yasmin, trêmula, deixou-se apoiar em Valentina.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço do Adeus