Mas ela não teve coragem de chorar alto.
Soluçando, levantou-se do chão e, trôpega, foi até a mãe.
Estendeu a mão, querendo segurar a mão dela.
— Mamãe, está doendo tanto, mamãe...
O choro da criança não despertou nenhum traço de ternura em Helena Barbosa.
Com as unhas afiadas, Helena cutucou a testa de Estrela.
— Não me chame de mamãe!
— Não queria ir atrás da sua tia Valentina?
— Então vá! Veja se ela ainda vai querer você!
A testa de Estrela ficou vermelha com a força dos toques, mas ela não ousou chorar alto, apenas repetia baixinho que não se atreveria mais.
Helena Barbosa lançou-lhe um olhar fulminante e virou-se para entrar na casa.
— Mamãe, mamãe, eu não faço mais isso, prometo.
Estrela, chorando e tropeçando, seguiu a mãe para dentro da casa.
Naquela noite, Estrela foi castigada e trancada no quartinho escuro do sótão.
Durante a madrugada, teve uma febre alta e chamou pela mãe várias vezes, mas ninguém foi vê-la.
Só adormeceu depois de exausta, e sonhou que estava com o pai e com Valentina Lacerda.
Valentina Lacerda não fazia ideia de tudo isso. Depois que saiu, empurrou a cadeira de rodas da mãe para casa.
No caminho, Tereza Rodrigues lhe perguntou algumas coisas sobre Estrela.
Valentina percebeu que a mãe sentia falta de Estrela.
Pensando em Helena Barbosa, Valentina ficou preocupada que a mãe pudesse ser magoada, então não resistiu ao impulso de alertá-la.
— Mãe, agora Estrela tem sua própria mãe, tem avós. Nós já somos de fora.
Tereza Rodrigues entendeu o recado das palavras da filha.
Suspirou:

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