Helena Barbosa jamais imaginara que um dia seria passada para trás por Valentina Lacerda!
Sua mãe sempre lhe dizia que Valentina Lacerda era gentil e compreensiva, incentivando-a a deixar de lado as mágoas e tentar conviver melhor com Valentina Lacerda, afirmando que as habilidades dela poderiam ajudá-la.
Helena pensou que devia chamar sua mãe para ver com os próprios olhos o que aquela “boa aluna” era capaz de fazer!
As palavras de Helena Barbosa saíram quase rangendo entre os dentes.
— Valentina Lacerda, depois de tudo o que minha mãe fez por você, como pode me armar uma dessas?
— Você não vive dizendo que a Professora Vanessa é sua mentora?
— E é assim que você trata a única filha dela?
Ao evocar o nome da mãe, Helena achou que teria uma chance de reverter a situação.
Afinal, Valentina Lacerda não adorava cultivar uma boa reputação?
Valentina, ouvindo Helena mencionar a Professora Vanessa, levantou lentamente as pálpebras e lançou-lhe um olhar gélido.
Todo o desprezo que sentia por Helena estava refletido em seu olhar.
— Você ainda não cresceu, é? — retrucou, com escárnio. — Quando tem um problema, sempre corre pra Benjamin Freitas ou pra sua mãe!
— É de dar pena... Por que não vai logo pedir pro Sr. Silva te colocar como enfeite no museu? Afinal, você não serve pra mais nada aqui!
Cada palavra de Valentina era como uma lâmina, esmagando a dignidade de Helena Barbosa no chão.
Por um instante, Helena desejou ardentemente sumir com aquela mulher dali.
Olhou para Valentina com tamanha fúria que, se olhares matassem, a outra já estaria morta.
Mas era só uma fantasia impossível.
Depois de um breve silêncio, Helena lançou um olhar ao pequeno frasco de porcelana sobre a bancada do laboratório. Apertou-o com força, as unhas finas cravando-se na palma da mão, a dor aguda servindo de lembrete para manter o controle.
Ela não queria admitir, mas, desta vez, fora derrotada.
— Valentina Lacerda, espero que cumpra o que prometeu!
Valentina deu de ombros.

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