Helena Barbosa percebeu de imediato, pelo olhar de Valentina Lacerda, que ela certamente não estava nada satisfeita naquele momento.
Embora o rosto de Valentina não demonstrasse muita coisa, nenhuma mulher conseguiria ficar indiferente ao ouvir seu próprio marido abrir caminho para outra. Aquela fachada de generosidade não passava de encenação.
Helena sabia que Benjamin Freitas, agora, não se importava mais com ela. Mas Valentina Lacerda não sabia disso. E só de ver Valentina desconfortável, Helena já se sentia vitoriosa.
Diante da provocação de Helena, Valentina Lacerda, no fundo, apenas sentiu desprezo. Ignorou Helena, retornou ao seu lugar e voltou ao trabalho.
Naquele instante, Mathias Silva conversava com Bento Godoy sobre assuntos do projeto, sem perceber o clima tenso entre as duas.
Após encerrar a conversa com Bento Godoy, Mathias checou as horas e se dirigiu a Valentina:
— Dra. Lacerda, esta tarde preciso pegar um voo para a Nova Zelândia para uma conferência. Os próximos encaminhamentos do trabalho você pode tratar diretamente com a Assistente Helena, que vai me repassar seus relatórios.
— Quando os dados da pesquisa de impressão 3D com resina fotossensível estiverem prontos, confira primeiro com Helena. Se estiver tudo certo, me envie, por favor.
— Pode deixar, Sr. Silva. Farei questão de colaborar com a Dra. Lacerda — respondeu Helena, com um sorriso.
Mathias assentiu, despediu-se de Bento Godoy e, levando sua pasta, deixou o instituto.
Assim que Sr. Silva saiu, todos voltaram às suas atividades. Até mesmo o Prof. Godoy conduziu sua esposa de volta ao escritório.
Todos no instituto haviam presenciado o dia em que a Professora Vanessa pedira ao Prof. Godoy para aceitar Helena Barbosa como sua orientanda de doutorado. O professor recusara imediatamente, alegando que Helena não tinha nível acadêmico suficiente.
Agora, de repente, ela aparecia como assistente direta do Sr. Silva. Era natural que os pesquisadores do instituto não aceitassem isso de bom grado.
Helena Barbosa percebeu que Valentina Lacerda a ignorava e, querendo se enturmar com os outros, notou que, sempre que buscava o olhar de alguém, a pessoa desviava. Esse tipo de desprezo trouxe de volta à sua memória os dias no Museu Britânico, quando fora isolada por todos.
Mas agora, ela não era mais a vulnerável Linda do país I. Estava ali como representante da parte contratante!
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