Helena Barbosa já estava diante de Valentina Lacerda.
Ela ergueu o queixo, o sorriso não alcançando os olhos, predominando o ar de triunfo e provocação.
— Srta. Lacerda, espero que nossa colaboração seja proveitosa daqui em diante.
As pessoas do instituto, até mesmo o Prof. Godoy, voltaram seus olhares para as duas.
Valentina Lacerda olhou para a mão estendida de Helena Barbosa, mas apenas levantou as próprias mãos e falou:
— Acabei de sair do laboratório, ainda não higienizei.
Helena Barbosa ficou visivelmente sem graça, mas manteve a compostura ao recolher a mão.
— Dizem mesmo que a Srta. Lacerda é talentosa e capaz, é realmente admirável.
Essas palavras, ditas sem convicção, provavelmente só convenceriam o Sr. Silva.
Mathias Silva tomou a palavra:
— Helena, você é amiga do Diretor Freitas, e a Srta. Lacerda é a esposa dele. Esse projeto de cooperação entre nosso museu e o instituto só saiu porque o Diretor Freitas se dispôs a ser o investidor e fiador.
O cotidiano de Mathias Silva era tão ocupado que ele jamais se atentava aos boatos e polêmicas da internet.
Ele não fazia ideia do quanto era complexa a relação real entre as três pessoas que acabara de mencionar.
Por isso, para ele, tudo parecia uma feliz coincidência.
— Vendo por esse lado, parece até que nosso projeto conjunto entre o museu e o instituto já estava predestinado ao sucesso.
Bento Godoy revirou os olhos mentalmente.
Que predestinado, nada — era evidente que a colaboração só avançava graças à competência de sua aluna Valentina Lacerda; aquele tal de Benjamin Freitas, no máximo, só tinha algum dinheiro.
Quanto à Helena Barbosa...
Sem papas na língua, ele disse diretamente:
— Não me lembro de ter ouvido falar que você iria contratar uma assistente, Sr. Silva. Essa assistente, Helena... não foi o Diretor Freitas quem a indicou, para supervisionar o trabalho entre as duas instituições?



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