Nádia Assunção apressou-se em pegar a criança no colo.
— Estrela, tão tarde assim, por que você não está dormindo? Você veio sozinha?
A pequena Estrela bocejou, com os olhos já pesados.
— O Budim não quis dormir. Eu e a mamãe descemos pra brincar com ele.
Antes que pudesse terminar a frase, Estrela já adormecia, apoiada no ombro de Nádia Assunção.
— Estrela?
Nádia ainda tentou perguntar mais alguma coisa, mas, de repente, um grande cachorro preto surgiu correndo no elevador, assustando-a com o barulho inesperado.
Ela quase reclamou em voz alta, questionando quem teria tamanha falta de consideração a ponto de passear com o cachorro àquela hora sem coleira, quando Helena Barbosa apareceu diante dela.
— Srta. Assunção!
Helena ficou surpresa ao ver Nádia ali. — O que faz aqui a essa hora?
Sem esperar resposta, Helena se agachou e fez um carinho na cabeça do cachorro.
— Muito bem, garoto! Muito bem! Agora está mais tranquilo, não é?
Nádia franziu a testa.
Será que Helena não tinha visto Estrela em seus braços?
Era para isso que ela trazia Estrela para fora tão tarde, só para brincar com o cachorro?
Se fosse outra pessoa ali, Nádia nem queria pensar no perigo ao qual Estrela poderia estar exposta. Mas Helena parecia não se importar com isso.
A atenção que dava a Estrela era até menor do que dedicava ao cachorro!
No entanto, Nádia era apenas uma estranha naquela família, e a mulher diante dela era ninguém menos que a ex-esposa do Diretor Freitas, mãe biológica de Estrela.
Ela, claro, não podia dizer nada.
Helena brincou mais um pouco com o cachorro e finalmente apertou o botão do andar.
Só então lembrou-se de Nádia.
— Ah, Srta. Assunção, o que faz aqui tão tarde? Também mora neste prédio?
Se Helena perguntava isso, era certo que o Diretor Freitas estava no apartamento da esposa.
Nádia apertou o botão do 16º andar. — Vim entregar algo ao Diretor Freitas.
Ao ouvir que Benjamin Freitas estava no décimo sexto andar, Helena Barbosa ficou com a expressão tensa por um instante, mas não disse mais nada.


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