— Benjamin Freitas, faltam vinte e nove minutos! Se não quiser que todo mundo fique sabendo, é melhor você vir logo.
Assim que terminou, Valentina Lacerda desligou o telefone sem dar chance de Benjamin responder.
Estrela Freitas, até esse momento, ainda pensava que Valentina Lacerda tinha medo de que ela e o pai ficassem bravos.
Uma criança não faz ideia de que o coração humano não suporta ser ferido repetidas vezes.
— Valentina Lacerda, dessa vez você realmente irritou a mim e ao papai! Mesmo que peça desculpa, não vamos te perdoar!
Valentina Lacerda olhou para o rosto inocente de Estrela Freitas.
Talvez o sangue realmente fale mais alto.
Ela havia cuidado da menina com todo o carinho por cinco anos, mas não conseguiu competir com os poucos meses desde a chegada de Helena Barbosa.
O coração de Valentina já estava frio em relação à criança; não sentia mais aquela tristeza de antes.
Apenas lançou um olhar indiferente para Estrela Freitas, sem responder.
Seu olhar então se fixou na estante atrás de Helena Barbosa.
— Sabe, eu consultei um advogado. Tudo que Benjamin Freitas comprou para você — as coleções, inclusive esta casa — faz parte dos bens do casal. Tenho direito de recuperar tudo isso.
Valentina Lacerda falava com uma calma cortante, mas para Helena Barbosa, cada palavra pesava como chumbo.
— Tudo isso é meu, você não tem direito de levar nada!
Helena Barbosa tentava manter a compostura, mas o jeito como agarrava Estrela Freitas traía seu nervosismo.
Afinal, Valentina tinha trazido várias pessoas com ela.
E Helena? Estava completamente indefesa.
A única esperança era que Benjamin chegasse logo.
— Valentina Lacerda, se você encostar um dedo em mim, o Benjamin não vai te perdoar!
Valentina Lacerda levantou a mão e pegou um vaso raro.
Ela se lembrou do dia do leilão, quando Helena Barbosa havia gasto uma fortuna naquele objeto.


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