Jessica sentia-se completamente impotente. De alguma forma, ela sempre acabava em situações em que as pessoas queriam vê-la morta sem motivo algum.
— Tem certeza de que está falando com a pessoa certa? Eu não fiz isso. Foi ela mesma quem causou tudo. Ela começou o incêndio — disse Jessica, com a voz trêmula.
— A culpa é sua! Se você não tivesse roubado o Sr. Keanu da Srta. Truman, ela nunca teria feito uma coisa tão absurda! — gritou Norman, convencido de que ela era a culpada.
— Tudo bem, se é isso que você quer acreditar, não posso mudar sua opinião. Mas você viu com seus próprios olhos: quem machuca os outros geralmente acaba se machucando também — respondeu Jessica, já sem paciência.
— Pare de fingir inocência! Não vou deixar você escapar dessa! — rosnou Norman, o rosto distorcido pela raiva.
As sobrancelhas de Charles se juntaram, e seu olhar tornou-se gélido. Sua voz saiu baixa, cortante e perigosa:
— Se quiser machucá-la, vai ter que passar por mim primeiro.
— Sr. Keanu! A Srta. Truman te amava mais do que tudo, e você a traiu! Ela não vai descansar em paz. Mesmo morta, vai te assombrar para sempre! — Norman gritava, tomado pela fúria.
— Levem-no para a delegacia — ordenou Charles friamente aos seus homens. — Digam que ele tentou ferir alguém.
— Sr. Keanu! Você vai se arrepender! Traiu a Srta. Truman — o destino vai te alcançar! — Norman berrava enquanto era arrastado, ainda praguejando.
Jessica sentiu um leve desconforto, mas, acima de tudo, estava irritada.
— Não se preocupe com isso — disse Charles suavemente, como se pudesse ler seus pensamentos.
— É, gente como ele não merece atenção — acrescentou Jim.
Duas coroas de flores repousavam sobre o túmulo de Tina. Charles estava sentado em sua cadeira de rodas diante da lápide, com Matilda ao seu lado, silenciosa.
A outrora poderosa herdeira dos Truman tinha apenas eles para se despedirem.
— Nunca imaginei que ela chegaria tão longe — sussurrou Matilda, ainda abalada ao saber que Tina havia se queimado viva.
Charles permaneceu calado, os lábios apertados, o olhar fixo na lápide.
Ele não precisava estar ali. Depois de tudo o que Tina fez, eram inimigos.
Mesmo assim, sentia que ainda lhe devia algo. Os Truman caíram por sua causa, e estar ali no funeral era uma forma de saldar essa dívida.
— Se eu soubesse o quão implacável ela era, nunca teria mandado você para ela — disse Matilda, o arrependimento pesando em sua voz.
— O que está feito, está feito. Lamentar não muda nada — respondeu Charles, sereno, a voz se perdendo ao vento.
Ele ajustou os controles da cadeira de rodas.
— Vamos. Já está ficando tarde.
Matilda lançou um último olhar à lápide antes de acompanhá-lo em direção aos portões do cemitério.
— Jessica está bem? — perguntou baixinho.
— Está se recuperando — disse Charles.
— Que alívio — murmurou Matilda. Se Jessica tivesse morrido, nem a morte de Tina impediria Charles de buscar vingança.
Dois anos atrás, apesar da oposição da família Winslow, Matilda insistiu em ter seu filho com Neil.
Agora, o menino já corria, pulava, chamava-os de mamãe e papai, e até aprendia palavras em vários idiomas. Brilhante, alegre e adorável, era impossível não se apaixonar por ele.
Ainda assim, Matilda e Neil não eram casados. Ela teve o bebê fora do casamento, não por falta de vontade, mas porque os anciãos dos Winslow se recusavam a deixá-la casar com um guarda-costas.
— Mamãe, senti tanta saudade de você — disse o menino, enterrando o rosto no ombro dela.
Ao ouvir isso, toda a dureza de Matilda se desfez.
— Eu também senti sua falta — sussurrou, beijando sua bochecha.
— Não quero ficar longe de você nunca mais — murmurou ele.
— Está bem, vou ficar com você todos os dias — prometeu ela.
Charles observava em silêncio, vendo um lado de Matilda que nunca conhecera. Isso o fez pensar em Jessica e Arthur esperando por ele em casa, e um leve sorriso surgiu em seus lábios.
— Você deve ir — disse a ela.
Com o filho nos braços, o coração de Matilda já estava em outro lugar.
— Vamos manter contato — disse ela, entrando no carro, com Neil logo atrás.
Vendo-os partir, Charles entrou em seu próprio carro e também se foi.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Pai Bilionário do Meu Filho
Hummm, hora de descobrir que o bebê é filha da Jéssica....
Esse Neil é realmente louco, mas um louco engraçado gostei desse personagem muito bom....
CriCriCri...estou sem palavras, o cara se matou por causa de uma louca que já se foi, que lealdade macabra....
Vixi coitado do Arthur, acho que eles vão acabar matando essa criança,essa mulher não conhece algo parecido como gravador de um celular ou caneta gravadora, falta mais emoção nesta história e astúcia também por parte da protagonista....
Aliás está mansão não tem câmeras, nunca vi isso 😕. Hoje em dia até casas mais simples tem câmeras....
Falei, se Charles não aparece essa mãe não é capaz de defender seu próprio filho,acho esse personagem fraco sem habilidades de defesas tanto físicas quanto moral. Está criança vai sofrer muito se não souber se defender sozinho do inimigo...
Vamos lá, quem casa quer casa, ela não é obrigada a compartilhar de sua vida de família de três com ninguém ,ainda mais com os seus inimigos jurados, então sim sair deste lugar seria estrategicamente uma opção muito melhor, não significa fugir da guerra mas planejar estratégias muito melhor e de quebra defender seu filho, que com essas cobras aí vai ser alvo fácil com certeza....
Se impor faz bem de vez em quando sabia....
O que rapaz , faça logo um escarcéu e pronto que que é isso eu em, ninguém pode separar os filhos de seus pais e quem é este velho para falar assim dela só porque tem dinheiro é isto mesmo? Hoje rico amanhã pobre....😡😡😡...
Garota esperta, é isso ai só espero que não se torne obcecada para destruir o casamento deste casal, lindo, que romântico esses dois....