Os olhos de Charles se fixaram na mulher, seu olhar era como gelo, frio e penetrante. Sua voz cortou o ar tenso, firme e controlada:
“Não precisa disso. Cuidar do próprio filho é dever dos pais.”
Atrás dele, a voz de Flint soou carregada de deboche e desprezo: “Exatamente. As roupas do Sr. Hensley são feitas sob medida. Você tem como pagar por isso?” Cada palavra transbordava arrogância, os olhos dele cravados em Jessica.
Nenhuma mulher jamais ousara se aproximar do Sr. Hensley daquele jeito. Ela era ousada. Talvez ousada demais.
Arthur, ainda sendo puxado pela mãe, não conseguiu mais se segurar:
“É só uma calça! Eu pago!”, protestou com a voz firme. Ele não deixaria a mãe levar a culpa por um erro dele.
O olhar de Charles se voltou para o menino, a expressão ilegível. As sobrancelhas se franziram levemente, como se algo dentro dele tivesse despertado. Havia algo de familiar naquela criança, algo que ele não conseguia identificar.
Flint soltou uma risada seca: “Um pirralho como você? E acha que pode pagar?” O tom era debochado, carregado de descrença.
Arthur correu até sua mochilinha amarela de pato e começou a fuçar lá dentro, até puxar seu cofrinho. Derrubou as moedinhas no chão, e o tilintar metálico quebrou o silêncio ao redor.
“Aqui. Isso dá?”
Charles olhou para as moedas espalhadas, o rosto ainda impassível suavizando-se, ainda que quase imperceptivelmente. O canto de sua boca se curvou, quase num sorriso.
“Pode guardar seu dinheiro”, disse ele, com a voz menos fria desta vez. “Na próxima, preste mais atenção por onde anda.”
Arthur franziu a testa, com os punhos fechados. “Tá achando que eu sou inútil?”, o pequeno retrucou, encarando Charles com determinação nos olhos.
Jessica, percebendo que a tensão havia diminuído, puxou o filho em direção à saída. Não havia mais o que dizer. Eles não seriam responsabilizados, e o melhor seria sair dali antes que algo pior acontecesse.
Ela murmurou mais desculpas, as palavras saindo apressadas e ofegantes:
“Desculpe mesmo pelo transtorno. De verdade.”
Repetiu-se enquanto reunia Arthur e se afastava rapidamente, passando por Charles. Um perfume leve, desconhecido e ao mesmo tempo estranhamente familiar, passou por ele.
Charles congelou. Seu coração acelerou. Os olhos se estreitaram, e ele se virou bruscamente para acompanhar com o olhar as figuras que se afastavam.
Mas quando olhou, eles já haviam sumido no meio da multidão, apenas vultos confusos entre tantos.
Os passos dos dois desapareceram no caos do aeroporto, mas Charles permaneceu imóvel, envolto por uma estranha e inabalável quietude.
Flint o observou de lado, intrigado, e falou com hesitação:
“Sr. Hensley... vamos cobrar por isso?”
Charles estreitou os olhos, o olhar afiado como o de uma águia, enquanto sua respiração desacelerava. Aquele cheiro... como era possível?
Ao longo dos anos, já havia cruzado com incontáveis perfumes, cada mulher deixando para trás sua própria essência. Mas nunca encontrou aquele aroma, o único que ele vinha procurando sem sucesso.
Nenhuma mulher jamais despertara o interesse do Sr. Hensley. E aquela ali havia conseguido. Ela era mãe, para o amor de Deus. Seria possível que o Sr. Hensley tivesse queda por mulheres casadas? A ideia parecia absurda demais para ser verdade.
O sorriso era largo e cheio de admiração.
“Selena, o que é ‘segunda rodada’?”, Arthur perguntou, com sua malinha nas mãos, olhando para ela com os olhos negros arregalados de curiosidade.
O rosto de Selena se suavizou imediatamente. Um sorriso carinhoso se abriu em seus lábios:
“Ah, então você é o Arthur! Como pode ser tão lindo e fofo? É a cara da sua mãe!”, disse, agarrando o menino num abraço sem aviso.
O rosto de Arthur se contorceu em pânico ao ser pego de surpresa. Seu corpinho se debatia enquanto ele olhava para a mãe com desespero nos olhos:
“Mamãe, me ajuda!”
Jessica riu, balançando a cabeça com um suspiro.
“Ela é sua madrinha, não uma vilã.”
“Exatamente! Sua madrinha, rapazinho!”, disse Selena, com um sorriso divertido, apertando-o ainda mais. “Vamos lá, fala comigo me chama de ‘dinda’!”
Arthur cruzou os braços e fez bico, a voz emburrada e firme:
“Quero o papai, não a dinda.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Pai Bilionário do Meu Filho
Hummm, hora de descobrir que o bebê é filha da Jéssica....
Esse Neil é realmente louco, mas um louco engraçado gostei desse personagem muito bom....
CriCriCri...estou sem palavras, o cara se matou por causa de uma louca que já se foi, que lealdade macabra....
Vixi coitado do Arthur, acho que eles vão acabar matando essa criança,essa mulher não conhece algo parecido como gravador de um celular ou caneta gravadora, falta mais emoção nesta história e astúcia também por parte da protagonista....
Aliás está mansão não tem câmeras, nunca vi isso 😕. Hoje em dia até casas mais simples tem câmeras....
Falei, se Charles não aparece essa mãe não é capaz de defender seu próprio filho,acho esse personagem fraco sem habilidades de defesas tanto físicas quanto moral. Está criança vai sofrer muito se não souber se defender sozinho do inimigo...
Vamos lá, quem casa quer casa, ela não é obrigada a compartilhar de sua vida de família de três com ninguém ,ainda mais com os seus inimigos jurados, então sim sair deste lugar seria estrategicamente uma opção muito melhor, não significa fugir da guerra mas planejar estratégias muito melhor e de quebra defender seu filho, que com essas cobras aí vai ser alvo fácil com certeza....
Se impor faz bem de vez em quando sabia....
O que rapaz , faça logo um escarcéu e pronto que que é isso eu em, ninguém pode separar os filhos de seus pais e quem é este velho para falar assim dela só porque tem dinheiro é isto mesmo? Hoje rico amanhã pobre....😡😡😡...
Garota esperta, é isso ai só espero que não se torne obcecada para destruir o casamento deste casal, lindo, que romântico esses dois....