Bryan
Mal coloco os pés no meu apartamento e já encontro Jéssica ali dentro, como se fosse dona do lugar.
Ela desce as escadas vestindo uma das minhas camisetas brancas, curta demais no corpo dela e revelando aquelas pernas longas de modelo.
Era bonita, claro. O tipo de beleza treinada para fotografar.
Mas nada nela era natural como a garota do hotel.
Não sei o porquê, mas minha mente já comparava as duas.
E a imagem que vinha era a outra menina, com aquele cabelo solto até a cintura… usando minha blusa.
— Oi, coração… — ela sorri, se pendurando em mim, com aquele jeitinho que ela sempre fazia para me provocar
Tiro seus braços com calma, mas firme. Continuo andando, ignorando o perfume doce demais que ela faz questão de usar.
— O que foi, Bryan? — ela insiste. — Por que esse tratamento tão frio?
Ela tenta me abraçar de novo, tocando meu peitoral.
No entanto, a única coisa que eu queria era subir e descansar.
— Jéssica — minha voz sai baixa, porém afiada — como você entrou aqui? já deixei claro que não gosto que venham sem avisar. Empurro seus braços e aponto para a porta, sem alterar o tom: — Pegue suas coisas. E vá. Ela arregala os olhos — sabe que minha palavra não volta.
Sobe rápido, se troca e sai sem discutir.
Mas eu sei que ela volta. Sempre volta.
Jéssica era bonita, famosa, acompanhava-me em eventos, jantares e viagens. Mas nunca foi minha e ela sabia muito bem disso. Sabia que, se eu me interessasse por alguém de verdade, não sobraria espaço para ela.
Subo para o meu quarto, o mesmo de sempre: organizado, sem perfume feminino, sem lembranças algumas de mulher, não deixava nenhuma mulher entrar e muito menos se deitar em minha cama, Nem mesmo ela que já fazia tempos comigo.
Meu telefone toca.
— Senhor… José do outro lado da linha fala ansioso.
— Fale —
— Descobri tudo sobre ela. Enviarei as fotos e o relatório completo. Era o segurança que mandei investigar a garota.
— ok, José me envie tudo que descobriu sobre ela. aproveito e vou tomar um banho enquanto aguardava os arquivos.
quando saio termino de me vesti acendo um cigarro e coloco no canto da boca, encosto na cadeira de couro e começo a ler.
“ Liz Gonçalves. 18 anos recém-completos.”


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