Bryan
— Quem você acha que eu sou?! — ela retrucou, indignada, os olhos faiscando entre raiva e medo.
Eu simplesmente ri.
Um riso baixo, rouco… o tipo de riso de quem acabou de encontrar algo interessante.
— É você quem tem que me dizer quem é, garotinha — falei, dando um passo à frente.
Ela recuou.
Recuou até as costas tocarem a parede.
Seus olhos estavam arregalados, assustados.
Interessante… geralmente as mulheres se jogavam aos meus pés. Talvez ela só quisesse uma prova clara de que eu realmente estava interessado.
— Eu já falei! Eu vim só limpar! Nada mais! — ela disse, firme, mas a voz traía sua tensão.
Sorri de lado, malicioso, e me aproximei novamente. Baixei o rosto até seu ouvido — ela era bem mais baixa que eu, quase precisando olhar para cima para me encarar.
— Posso pagar por outros serviços… e prometo pagar muito bem.
Eu sequer terminei a frase quando PAH!
Um tapa.
Rápido. Preciso.
Estalou no meu rosto.
Fiquei imóvel por um segundo.
Surpreso.
De verdade, eu não esperava.
Segurei seu pulso, firme.
— Seu tarado! Me solta! O que você pensa que eu sou?! — ela gritou, tentando se soltar.
Eu senti raiva.
Mas também algo mais.
Por que ela resistia?
Por que ela não se entregava como todas as outras?
Meu celular tocou.
Soltei seu pulso e atendi.
— Caramba, que demora, Bryan! Vai me dizer que encontrou alguma gatinha e tá aí transando? — reclamou Ricardo, impaciente.
— Quase isso — respondi, rindo, olhando para ela à minha frente.
— Resolve isso e vem logo. Estamos atrasados — ele resmungou.
— Tô indo — desliguei.
Olhei para ela mais uma vez.
Eu ainda precisava pegar o anel.
Afastei-me, fui até a cama, a movi um pouco para o lado e lá estava ele, no cantinho do chão. Peguei e coloquei de volta no dedo.
Quando ergui o olhar…


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