Liz
Ainda eram seis da manhã.
Não fazia nem três horas que eu tinha me deitado para dormir quando minha irmã chegou bêbada, jogando minhas coisas no chão e gritando para eu sair do quarto.
— Acorda, sua nojenta! Por que não some dessa casa? Some da nossa vida! Eu te odeio! — ela gritava, atirando o que via pela frente.
Mas eu já sabia o verdadeiro motivo de tanta raiva: o namoradinho dela.
Aquele que se dizia apaixonado por Cristiana havia dado em cima de mim — sem saber quem eu era. Ele foi até a lanchonete onde eu trabalhava e começou a me cantar, e uma das amigas viu. Desde então, Cristiana passou a me infernizar todos os dias, tentando me expulsar da casa.
— O que foi dessa vez, sua louca? — falei brava, levantando e pegando a almofada no ar antes que me acertasse.
— Por que não some daqui? Não tá vendo que ninguém te quer nessa casa? — ela berrou, cambaleando.
— Não vou sair. E, pra sua informação, essa casa era da minha mãe, então eu também tenho direito! — respondi, firme.
A porta se abriu de repente.
Minha madrasta entrou, com o olhar furioso.
— O que diabos está acontecendo aqui? Liz, o que acha que está fazendo? Vai quebrar tudo agora? — perguntou, olhando a bagunça espalhada.
— Não fui eu que joguei nada! — tentei explicar, mas ela me interrompeu.
— Ah, claro. Você nunca faz nada, não é? — falou com deboche, olhando para a filha bêbada.
Virou-se para Cristiana e suavizou o tom:
— Cris, querida, seu pai está dormindo. Quer acordá-lo? Vai tomar um banho e descansar, ele não pode te ver assim, vai ficar bravo.
Cristiana me lançou um olhar de puro ódio.
— Tá bom, mamãe — respondeu, saindo em direção ao quarto dela.
— Ótimo! — disse Serafina. — E você, Liz, trate de arrumar essa bagunça e acorde cedo pra fazer o café! — completou, saindo e me deixando sozinha no meio do caos que a filha dela tinha causado.
Suspirei fundo.
Juntei minhas coisas em silêncio e voltei para o quartinho dos empregados, onde eu dormia desde que meu quarto pegou fogo.
Mas no fundo, eu já sabia: não pretendia mais voltar pra lá.
Queria sair daquela casa. Era maior de idade, e estava decidida a conquistar minha liberdade.
Na manhã seguinte, levantei cedo e fui trabalhar no hotel onde a mãe da minha amiga havia me arrumado uma vaga.
Era na área da limpeza, mas o salário era bom, e o hotel… era o mais luxuoso da cidade. Às vezes eu via celebridades de longe, e sonhava com uma vida diferente, mesmo que só por alguns segundos.
Por ser um hotel cinco estrelas, as regras eram rígidas — só podíamos limpar os quartos quando os hóspedes estavam ausentes, e sempre em dupla.
Mas aquele dia começou caótico.
Duas funcionárias faltaram, e eu e Amanda, minha parceira, ficamos atoladas de serviço.
— Liz, ainda tem o quarto VIP pra limpar. Acho melhor você subir e ir adiantando, senão não saímos daqui hoje — disse Amanda, cansada.
— Mas... a Clarice sempre fala que temos que limpar juntas.


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