Do outro lado, a voz da mãe de Gabriel surgiu mansa. — Filho, onde você está? Sinto sua falta, que horas você volta? Já está tarde, é perigoso se você demorar.
Gabriel olhou para Beatriz na cama e franziu a testa.
Ele já estava grande, não havia perigo nenhum. Era muito exagero.
Ele disse. — Mãe, minha irmã se machucou, estou no hospital com ela.
Ao ouvir o nome de Beatriz, a mãe mudou o tom na hora, como se fosse outra pessoa. — O quê? Sua irmã se machucou? É grave?
Gabriel franziu a testa, olhando para o curativo cheio de sangue na perna de Beatriz, com a garganta seca. — É bem grave. Aquele Thiago Monteiro trancou a Bia em casa e não a deixou sair. Eu a tirei de lá.
Ele falou aquilo com orgulho, achando que a mãe iria elogiar.
Mas a mulher ficou quieta por um segundo e depois a voz subiu, afiada no telefone. — O quê? Quem mandou você ir lá e tirar sua irmã por conta própria? Gabriel, isso é problema da sua irmã, não se envolva. Me escuta e vem para casa agora!
Gabriel franziu ainda mais a testa. Ele andou até o fim do corredor e baixou a voz, não querendo que a irmã ouvisse.
— Mãe, a Bia não acordou ainda. Como posso voltar e deixá-la sozinha no hospital? Ela vai ficar triste quando acordar.
A voz da mãe saiu rápida, como se já tivesse aquele discurso pronto. — Sua irmã casou, isso é problema dela e do marido. Você sabe quem são os Monteiro? Sua irmã quis subir na vida casando com ele, agora se ele a prende, o problema é dela, não tem a ver com a gente.
Ela parou um pouco e deu uma risada de zombaria. — Além do mais, quando você foi preso e pediu ajuda, sua irmã não quis ajudar. Esqueceu? Ela não liga para você!

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