Beatriz Vaz quase chorou no instante em que viu Maurício Drumond.
Nunca tinha achado aquele homem com um aspecto tão bom. Ela não ligou para nada e soou num pedido.
— Sr. Drumond, dá para me levar para o hospital?
A visão de Maurício saiu do rosto dela e foi para Gabriel Vaz ao lado. Parou no rosto do garoto com um olhar que ficou mais duro.
Os olhos dele agora exibiam uma tensão anormal. — Entra.
Gabriel ergueu Beatriz, abriu a porta de trás e a colocou lá dentro com todo o jeito.
Beatriz sentou, retirou o casaco e juntou as partes, colocando embaixo da perna. O sangue umedeceu o tecido com rapidez e marcou um rastro.
Ela tinha medo de sujar o carro de Maurício e não ter como pagar depois.
Maurício notou e franziu a testa, brincando. — Você se machuca desse jeito e ainda se preocupa comigo. Dra. Vaz, você é tão compreensiva.
Beatriz não tinha energia para ver se ele estava irritado. Ela só queria encostar no banco e descansar um pouco. Ela fechou os olhos, franziu a testa enquanto a respiração enfraquecia.
Maurício focou em Gabriel. — Você vai na frente.
Gabriel soltou um murmúrio surpreso. Olhou para Beatriz e disse. — Eu preciso ajudar minha irmã.
— Vai lá. — Beatriz soou fraca. — Eu consigo sozinha.
Gabriel demorou um pouco, mas entrou no banco de passageiro, amarrou os cintos e olhou de novo para trás, com ansiedade no olhar.
Maurício falou frio. — Arranca.
O motorista ligou o carro e arrancou.
...
A luz na sala de emergência irritava os olhos. A enfermeira cortou as calças de Beatriz e evidenciou o machucado na perna, com a pele aberta e sangue escorrendo.
A enfermeira franziu a testa e usou iodo para limpar a pele em volta. — Como foi que você machucou isso? Se demorasse mais um pouco, já era.
Beatriz mordiscou os lábios. — Escorreguei lá de cima.
A enfermeira apertou o rosto e passou o algodão no corte. A perna de Beatriz estremeceu e a unha atravessou a mão.
Doía demais!
— Vai precisar de três pontos. — A enfermeira desceu a pinça e olhou para ela. — Vai precisar de anestesia?
— Não. — A voz de Beatriz estava ríspida.
Gabriel apressou-se do lado. — Vai! Minha irmã não suporta a dor!



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