— Gabriel, volta para casa.
Gabriel virou a cabeça, olhando apressado. — Bia, como você pode deixar um estranho vigiando você? Eu sou seu irmão!
Beatriz não tinha forças para discutir. Ela soltou o ar devagar, com uma voz leve, mas que não dava chance de resposta. — Vai para casa. Se você demorar, ela vai colocar a culpa em mim e dizer que estou estragando você.
O coração de Gabriel doeu ao escutar aquilo. Ele sabia que a irmã falava da mãe. Desde criança, não importava o que acontecia, a mãe sempre jogava a culpa na irmã, dizendo que ele era pequeno e a irmã não o educava bem.
Ele quis falar algo no lugar da mãe, mas não achou nenhuma palavra. Ele nunca consertaria a relação das duas. Na visão de Beatriz, ele levava vantagem de tudo. Afastar-se dele fazia sentido.
Mas ele continuava triste.
— Bia, não fala isso. Eu sou seu irmão, somos uma família.
Beatriz deu uma risada leve e cansada. — Tá bom, vai para lá. Manda mensagem quando chegar.
Gabriel calou-se por alguns segundos. Conhecia o gênio da irmã, ela não mudaria de ideia.
Ele virou para Maurício e falou a sério. — Cuide bem da minha irmã. Se tiver alguma coisa, me ligue na hora.
Maurício deu um risinho. — Tá.
Gabriel foi embora contra a vontade, olhando para trás rumo a Beatriz quando chegou na porta.
Beatriz estava de olhos fechados e não olhou para ele. Gabriel apertou os dentes, virou e sumiu da porta com o barulho dos passos.
A sala de emergência ficou quieta. Maurício puxou a cadeira para o lado da cama, cruzou as pernas e a olhou com olhos de brincadeira. — Por que você trata seu irmão tão mal? Ele é bom com você e arriscou a vida para te salvar.
Beatriz abriu os olhos devagar, olhando para o teto sem mostrar nada nos olhos. — Eu não tenho obrigação de ser boa com ele. E por que o Sr. Drumond liga tanto para os problemas familiares dos outros?


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