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O Despertar da Esposa Desprezada romance Capítulo 7

Samuel abriu a porta e entrou. Ao ver os olhos vermelhos dela, ficou levemente atônito.

— O que foi que aconteceu?

Júlia levantou o telefone bem na frente do rosto dele:

— Você pegou a minha matéria-prima para soltar fogos de artifício para a Letícia?

Samuel apenas bateu o olho na tela do celular.

— Depois eu solicito outro lote para você.

Júlia manteve o olhar fixo nele.

— Quando te pedi ajuda, você disse que não podia. Agora você pode?

Samuel franziu a testa.

— Júlia, isso não é um problema tão grande. Se você quer, eu dou um jeito.

As unhas de Júlia quase perfuravam a pele de suas mãos ao apertar o aparelho.

— Você e a Letícia já são namorados há muito tempo.

Foi uma afirmação, não uma pergunta.

Uma hesitação cruzou os olhos de Samuel, mas ele retomou sua expressão habitual no instante seguinte.

— Eu apenas conheço o irmão dela...

— Samuel. — Júlia o interrompeu. — Eu quero uma compensação.

Samuel piscou, pego de surpresa com a súbita mudança de atitude. Contudo, como já estava acostumado, concordou:

— Está bem, me diga o que você quer.

Júlia fechou os olhos.

— Saia primeiro, vou me preparar.

Samuel saiu sem dizer uma palavra.

Na opinião dele, ela devia apenas estar pensando em quais joias de luxo queria, ou na quantia de dinheiro.

Dez minutos depois, Samuel preparou um café para si mesmo e sentou-se no sofá da sala, mas deu apenas um gole e deixou a xícara de lado. Não tinha o gosto habitual.

Todos os dias era Júlia quem o preparava e deixava na mesa para ele.

Ele imaginava que fazer café não requeresse nenhuma habilidade complexa e decidira fazê-lo sozinho, mas de alguma forma, o sabor estava errado.

Júlia desceu as escadas com uma pilha de documentos em mãos e estendeu-os para ele:

— Assine.

Samuel pegou os papéis, com um sorriso fraco.

— Ainda estão quentes, imprimiu agora mesmo?

— Sim. Uma oportunidade rara não pode ser desperdiçada, preciso tirar proveito.

Ele lançou-lhe um olhar. Nos três anos de casamento, de fato, ela sempre fora bastante apegada ao dinheiro.

Quando foi trocar de sapatos no saguão de entrada, ele olhou para trás e viu Júlia com a cabeça baixa.

Antes, sempre que não podiam estar juntos num dia especial, ela passaria um longo tempo resmungando; mas ele não havia voltado para o próprio aniversário no dia anterior, e ela não tocara no assunto.

Ao ver os restos da comida da noite passada na mesa de jantar, embora tivessem ficado a noite toda ali, era claro que ela os preparara com muito cuidado.

Sem saber o porquê, sentiu uma pontada leve de dor no peito. Ele não já a tinha recompensado?

Parando por um momento, ele puxou a porta, e deu de cara com Dona Linda.

— Jovem mestre. — Dona Linda cumprimentou.

Samuel apenas assentiu.

Ao entrar na sala de estar, a Dona Linda imediatamente notou a gaze na testa de Júlia.

— Senhora, o que aconteceu com você?

Júlia deu um sorriso autodepreciativo.

Apesar dela tentar esconder com o cabelo, Dona Linda percebeu logo de cara, enquanto ele nem sequer notou.

Não se tratava de enxergar ou não, mas sim a diferença entre amor e a falta dele.

— Não foi nada, acabei batendo de leve ontem.

Ela olhou para baixo, encarando os papéis em suas mãos. No meio dos acordos de transferência de propriedades, estava um termo de divórcio e uma procuração de divórcio.

A revisão das importações de Césio Especial era extremamente severa. Mesmo para os Almeida, levariam pelo menos até o mês seguinte.

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