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O Despertar da Esposa Desprezada romance Capítulo 6

Ele ou dormia no alojamento da universidade ou chegava em casa e adormecia imediatamente. Durante esses três anos, a atitude mais íntima que haviam tido foi dar as mãos.

Ele dizia que estava de luto pela família e não poderia passar dos limites.

Na época, ela chegou a estranhar. Em pleno século vinte e um, ainda existiam tradições desse tipo? Mas, de alguma forma, ela acreditou.

Que exemplo de neto devoto.

Pelo verdadeiro amor, ele conseguiu guardar-se puro por três anos.

Júlia virou-se e deslizou a mão para dentro do pijama dele.

Sem qualquer ritmo e desprovida de qualquer desejo, seus dedos se moveram pela cintura dele de forma ousada e impiedosa.

A respiração de Samuel falhou, ele agarrou a mão dela, com a voz rouca:

— Júlia.

Foi como se ela tivesse recebido um balde de água fria. Virou-se de costas na cama, rangendo os dentes de dor.

O movimento havia afetado o ferimento em sua testa.

Felizmente as luzes estavam apagadas e ele não pôde ver.

E mesmo se visse, ele não se importaria.

Samuel estabilizou a respiração por alguns segundos e levantou-se:

— Falta apenas um mês para completarem-se os três anos desde a morte do meu avô. Depois disso, seremos um casal de verdade, ok? Estou exausto hoje, vou dormir no quarto de hóspedes.

Sem esperar a resposta de Júlia, ele se levantou da cama e caminhou em direção à porta.

— Samuel. — Assim que a mão dele tocou a maçaneta, ela o chamou. — Vou te fazer só uma pergunta: o que você fez hoje à noite?

— Estava acompanhando os superiores. — Samuel respondeu sem hesitar e saiu, fechando a porta em seguida.

No quarto completamente escuro, Júlia fitou a tela do celular, onde lia-se a mensagem enviada por Letícia há três minutos: [Júlia, será que você entendeu errado? Entre mim e o Samuel não existe nada.]

Um sorriso cínico curvou os lábios de Júlia.

Se não houvesse nada, por que a necessidade dele mentir?

Ela atirou o celular para o lado como se livrasse de algo sujo. Levantou-se, foi até o banheiro, abriu a torneira e lavou as mãos três vezes, limpando cada canto.

O pensamento de que o corpo dele havia tocado outra mulher, ou talvez até coisas mais imundas, dava-lhe repulsa.

Mesmo que ele não a tivesse parado, ela também não continuaria. Tudo o que ela queria era arrancar aquela máscara de hipocrisia do rosto dele.

Mas ver a aparência imaculada que ele se esforçava para manter só a fazia sentir um tédio profundo.

— Vou ligar para perguntar. — Disse Júlia.

Mas Luciana parecia ter algo entalado na garganta:

— Te enviei um link. Dê uma olhada primeiro.

A manchete dizia: "Show de estreia de Letícia Barros no retorno ao país. Namorado misterioso, que é professor, promoverá uma queima de fogos em sua homenagem, resgatando a lendária técnica perdida de 'Luar Azul'".

O "Césio Especial" era justamente a matéria-prima vital para criar o "Luar Azul".

O artigo só faltou gritar, em letras maiúsculas, as palavras "Samuel Almeida".

Júlia apertou o celular, os dedos entorpecendo aos poucos.

Por esse lote de Césio Especial, ela tinha passado dias inteiros acompanhando a mãe de Samuel, jogando baralho, fazendo compras e assistindo a peças teatrais. Ela dera inúmeros sorrisos forçados e distribuíra baldes de palavras amáveis.

Como o pai de Samuel era tão ocupado que ninguém o via, e Samuel dizia não se envolver nos negócios da família e não poder ajudá-la, a única saída fora tentar agradar a sogra.

Todo o seu esforço constante, sorrindo e se rebaixando para quem não lhe dava a mínima, só para conseguir aquilo.

E, no fim das contas, ele pegou tudo de bandeja e deu para fazer a sua velha amante sorrir.

Júlia fechou os olhos, fincando as unhas nas palmas das mãos, tremendo incontrolavelmente.

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