Por dentro, contudo, um aperto sutil atingiu seu peito. A voz soar vazia não era encenação; ela sabia, com uma certeza dolorosa, que aquele dia nunca chegaria para si.
— Então está selado!
Decretou Donato, batendo a mão espalmada sobre a mesa.
— Vocês vão ficar noivos no mesmo dia, mas as cerimônias de casamento serão separadas.
— Perfeito, vovô. Podemos marcar a celebração para daqui a um mês.
Sugeriu Valério, sem tirar os olhos do primo.
Nicola suspirou, tentando transparecer uma tranquilidade que não sentia:
— Por mim, está ótimo. Se a Juliana aceitou, nos noivamos em um mês, a felicidade dela é a minha.
Para Nicola, a conta parecia perfeita. Um mês lhe dava margem suficiente para enrolar o avô, enquanto o acordo com Juliana expiraria em dez dias, dando fim ao namoro falso. Depois, ele assumiria Caterina antes que a barriga ficasse evidente. Ele só não percebia que, no xadrez dos Moretti, jogar com o tempo e com os sentimentos alheios costuma ter um preço alto demais.
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Na volta para casa, o silêncio dentro do sedã de luxo era espesso, quase sufocante, quebrado apenas pelo som abafado dos pneus deslizando sobre o asfalto úmido da cidade. Sentados lado a lado no banco de couro escuro, um abismo invisível os separava. Nicola mantinha a postura rigidamente impecável, o maxilar tenso, os olhos cravados em algum ponto vazio à frente. Sem sequer virar o rosto para encará-la, ele finalmente rasgou a quietude.
— Vamos manter as aparências, Juliana.
A voz dele soou metálica, desprovida de qualquer calor, como se estivesse simplesmente ditando os termos de uma fusão corporativa.

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