O sol ainda mal havia despontado no horizonte quando Valério cruzou os portões do imponente Grupo Mancini. Fiel à sua promessa e movido por uma urgência que beirava o desespero, ele marchou pelo saguão da empresa como um homem em missão divina.
Poucos minutos depois, Enzo Mancini encarava a figura do visitante no epicentro de seu império profissional. A sala da presidência, um santuário de carvalho, couro e vidros à prova de som, parecia pequena demais para a tensão repentina. Enzo ajeitou o terno sob medida e piscou algumas vezes, tentando processar a visão de Valério ali, àquela hora da manhã, sem um copo de Whisky na mão ou uma comitiva de modelos a tiracolo.
— Olá, Valério...
Enzo quebrou o silêncio, a voz oscilando entre a cortesia corporativa e a genuína perplexidade.
— Que bons ventos ou tempestades o trazem por aqui? Há quanto tempo! Aconteceu algo? Confesso que fiquei surpreso quando minha secretária disse que você exigia falar comigo urgentemente.
Valério ajeitou o colar da camisa, visivelmente desconfortável, mas sustentando o olhar.
— Me desculpe por invadir a sua empresa assim, sem aviso, Enzo. Mas o assunto é grave. É urgente. Eu simplesmente não conseguiria esperar mais nem um segundo.
Enzo franziu a testa, unindo as sobrancelhas em um vinco de preocupação.
— Agora você atiçou minha curiosidade. Por favor, sente-se. Vamos conversar antes que você tenha um colapso no meu tapete importado.
Valério acomodou-se na poltrona à frente da mesa, inclinando-se para a frente e apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Bom, Enzo, eu vou direto ao ponto. Sem rodeios, sem floreios. Estou aqui por causa da sua irmã.
O ar da sala pareceu congelar instantaneamente.
— A Vittória?
Enzo engoliu em seco.

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