A segunda-feira mal havia começado no império do Grupo Moretti, mas a sala da presidência com seu aroma inconfundível de café espresso recém-passado, móveis de mogno maciço e uma vista panorâmica de tirar o fôlego já funcionava como palco para o mais puro drama familiar.
Nicola tentava inutilmente se concentrar em um relatório financeiro, mas Valério, confortavelmente instalado em uma das poltronas de couro com a postura de quem não tinha um único prazo para cumprir no dia, cruzou as pernas e exibiu um sorriso abertamente provocativo.
— É, Nicola... pelo que ei vi lá na Mansão Moretti, o clima hoje no café da manhã era de festa nacional.
Debochou Valério, girando a xícara de porcelana entre os dedos.
— O vovô Donato está irradiando simpatia, a tia Stella e o tio Dante já estão quase encomendando os convites, e até a minha mãe amanheceu cantarolando. Tudo porque o estimado herdeiro passou a noite inteira com a Juliana na noite de sábado. Pelo visto, o altar já está até decorado, não é?
Nicola soltou um suspiro pesado, reclinando-se na sua cadeira de presidente e massageando as têmporas como se tentasse espantar uma dor de cabeça iminente.
— Não vou ser hipócrita de negar que a noite foi... espetacular.
Admitiu ele, com a voz ligeiramente rouca, antes de recuperar a postura rígida de homem de negócios.
— Mas foi apenas outro deslize. Um deslize delicioso, admito, porém um deslize que não vai se repetir. A Juliana sabe exatamente onde estava pisando. Ela tem plena consciência de que o nosso namoro não passa de um contrato com data de validade, e daqui a exatos dois meses tudo isso chega ao fim.
Valério soltou uma gargalhada dramática e balançou a cabeça com profunda pena do primo.


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