Às oito em ponto, nem um minuto a mais, nem a menos, Nicola estacionou em frente ao prédio de Juliana. Quando ela surgiu no saguão, vestindo um vestido vermelho estonteante e usando o cabelo num rabo de cavalo, que misturava elegância com jovialidade com a promessa de um escândalo, o coração de Nicola perdeu o ritmo. "Literalmente. O infarto viria em seguida, essa mulher quer me matar", pensou ele, enquanto corria para abrir a porta do carro como o perfeito cavalheiro que fingia ser.
O trajeto até a mansão foi um monumento ao constrangimento. Nicola mantinha os olhos no trânsito, mas dava escapadas estratégicas para admirar a vista ao seu lado. Juliana, por sua vez, olhava para a janela com a empolgação de quem vai ao dentista.
Tentando quebrar o gelo de dez mil metros de profundidade, Nicola arriscou:
— E então... como você está? Diminuiu o ritmo das baladas com o pessoal do trabalho?
Juliana virou o rosto devagar, encarando-o com um olhar que poderia derreter o para-brisa.
— Estou ótima, Senhor Moretti. E eu, continuo saindo com as meninas do Departamento de Relações Públicas. Afinal, qualquer coisa é melhor do que mofar em casa.
Nicola soltou um suspiro pesado de insatisfação.
— Entendo...
O resto da viagem seguiu no mais absoluto e gélido silêncio.
Ao cruzarem os portões da Mansão Moretti, a atmosfera congelante evaporou instantaneamente. Seu Donato, o patriarca, praticamente voou em direção à Juliana para um abraço caloroso e ignorando o neto.
— Mas que visão!
Exclamou o velho, radiante.
— Minha neta favorita! Você não sabe a tortura que é esse lugar sem você. Ninguém aqui sabe jogar damas! Eu ganho de todo mundo de olhos fechados. Fico morrendo de tédio!

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