José Vieira estava ao volante.
A ansiedade de Amanda Soares e das duas crianças era visível.
— Essa menina sempre foi tão obediente e ajuizada, então para cometer um ato de rebeldia como fugir de casa, ela deve ter sofrido uma injustiça terrível. — Comentou Amanda Soares.
Injustiça?
Ezequiel subitamente se lembrou de algo.
— Mamãe, eu pensei em um lugar para onde a irmã Hadassa pode ter ido. — Disse o garoto.
— Que lugar? — Perguntou Amanda Soares imediatamente.
— Se a mamãe não estivesse mais aqui e eu sofresse uma injustiça, a pessoa que eu mais iria querer ver seria a mamãe. — Explicou Ezequiel.
— Você quer dizer o cemitério? — Compreendeu Amanda Soares num instante.
Ezequiel assentiu com a cabeça.
Quarenta minutos depois, o carro estacionou no cemitério.
Os dois adultos e as duas crianças caminharam apressadamente para as profundezas do cemitério.
Eles finalmente encontraram a lápide da mãe de Hadassa Marques no setor mais afastado, mas o local estava completamente vazio.
Parecia que eles haviam se enganado.
Ezequiel sentiu-se um pouco decepcionado e baixou a cabeça, desanimado.
— A irmã Hadassa tem a proteção dos céus. — Disse Amanda Soares, colocando a mão sobre o pequeno ombro dele para confortá-lo. — A mamãe acredita que ela ficará bem.
De repente, Rosângela pegou uma presilha de borboleta do chão com surpresa.
— Mamãe, olha, isso parece a presilha da irmã Hadassa! — Exclamou a menina. — Ela realmente esteve aqui no cemitério.
Ezequiel olhou e confirmou que realmente era a presilha da irmã Hadassa.
— Mamãe, é a presilha da irmã Hadassa, ela esteve aqui! — Afirmou Ezequiel, começando a gritar logo em seguida: — Hadassa, Hadassa, você está aqui?
Antes que Amanda Soares e José Vieira pudessem reagir, Ezequiel se aproximou de uma área mais escura do outro lado.
— Hadassa, Hadassa! — Continuou ele chamando.
De repente, uma resposta muito fraca ecoou.
— Eu estou aqui...
Era um som tão frágil que seria inaudível se não prestassem muita atenção.
Ezequiel seguiu o som até uma ladeira íngreme.
— Quando o papai se casar com a Dona Lopes, haverá um novo bebê, e a vida ou a morte da Hadassa não terão mais importância. — Retrucou a menina.
Sandro Marques ficou atônito.
— Quem lhe disse isso? — Indagou ele. — Quem lhe disse que a sua vida não importa para o seu pai?
O olhar de Hadassa Marques desviou-se lentamente para a elegante senhora que não estava muito longe dali.
— E não é verdade, papai? — Questionou ela.
Sandro Marques seguiu o olhar de Hadassa Marques e deparou-se com a sua própria mãe.
— Mãe, foi você quem disse algo para a Hadassa? — Questionou ele, franzindo a testa.
Dona Marques recusou-se veementemente a admitir a culpa.
— O que você quer dizer com isso? — Retorquiu ela. — Você está questionando a sua própria mãe por causa de uma pirralha?
— Mãe, eu não estou te questionando, eu só quero saber o que você disse para a Hadassa. — Respondeu Sandro Marques.
Dona Marques soltou um bufo frio.
Seu rosto não exibia um pingo de preocupação pela neta, apenas impaciência.
— Eu disse muitas coisas, como vou saber a qual delas você se refere? — Desdenhou ela. — Além disso, eu não posso mais ter uma conversa íntima com a minha própria neta?

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