Tudo por causa dessa mulher, que destruiu tudo.
Ele rangeu os dentes e cerrou os punhos, com as veias das têmporas saltando.
Deu um passo à frente, sem qualquer traço de afeto nos olhos.
— Beatriz Rebelo, sabe que tipo de pessoa eu mais odeio nesta vida? Pessoas que me ameaçam. Então, você acha que o seu fim será bom?
Beatriz Rebelo sentiu um calafrio e recuou um passo instintivamente, com o rosto ficando pálido de repente.
Mas Januario Pereira não pretendia parar por aí.
Ele fechou a porta casualmente e a encarou com frieza.
— Não pense que só porque você fez a mídia divulgar nosso casamento aos quatro ventos, você pode dormir tranquila. Beatriz Rebelo, nós temos muito tempo pela frente.
Beatriz Rebelo agarrou a manga da camisa dele.
— Eu não fiz isso. Saulo Vieira, não fui eu, não fui eu quem procurou a mídia para divulgar nosso casamento. Acredite em mim.
Januario Pereira a afastou com um gesto brusco.
Seus lábios finos se curvaram, mas o sorriso não chegava aos olhos; era assustadoramente frio.
— Não importa quem foi, você é a beneficiada. Vou colocar essa conta na sua fatura do mesmo jeito.
Querer usar a mídia para pressioná-lo e garantir a posição dela como Sra. Vieira era simplesmente ridículo.
O rosto de Beatriz Rebelo ficou completamente branco, olhando incrédula para as costas de Januario Pereira enquanto ele se afastava.
Ela franziu a testa com força.
Januario Pereira nunca quis que ela fosse a Sra. Vieira.
Mesmo que agora ela fosse a Sra. Vieira oficial, não era reconhecida no coração dele.
Agora, por causa da criança em sua barriga, ele não faria nada contra ela.
Mas e depois que a criança nascesse?
O que esse louco faria com ela?
Com a personalidade de Januario Pereira, como ele poderia poupá-la?
Só de pensar nisso, Beatriz Rebelo sentia arrepios.
Não, ela não podia ficar sentada esperando a morte. Precisava encontrar uma maneira de salvar sua própria vida.
Amanda Soares olhou na direção da voz.
José Vieira usava um avental bege que mal lhe cabia.
Sua figura alta parecia um pouco apertada na pequena cozinha, mas ele revirava os vegetais na panela com movimentos sérios e dedicados.
Seus dedos de articulações bem definidas seguravam a espátula, e o pulso se movia levemente.
O som do cozimento estava cheio de ternura.
Amanda Soares se aproximou e tocou levemente com a ponta dos dedos o punho da camisa dele, que não estava sujo de gordura.
— Trabalhou o dia todo, por que ter esse trabalho de cozinhar?
José Vieira virou a cabeça, com os olhos transbordando sorrisos e um olhar grudento e carinhoso.
— Você não disse dias atrás que sentia falta da minha comida? Como hoje não estou ocupado, claro que vou satisfazer minha esposa.
Enquanto falava, ele levou um pedaço de legume recém-saído da panela até a boca dela.
— Cuidado que está quente. Prove, como está o sabor?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Amor Me Cegou, Eu Me Iluminei