— Para lidar com gente que só joga sujo, é preciso cortar a esperança de uma vez. — Amanda Soares ergueu os olhos, com um tom de orgulho.
— Para evitar que pensem que meu marido pode ser seduzido por qualquer uma.
José Vieira riu alto.
Estendeu a mão e a abraçou pela cintura.
— Falou tudo. Mas da próxima vez, não precisa sujar as mãos. Me avise que eu resolvo.
Amanda Soares encostou-se no peito dele.
Ela olhou para a funcionária do RH, que ainda não tinha reagido, e curvou os lábios.
— E agora? Devemos continuar a entrevista? Afinal, a Bravura Capital não precisa de funcionários que misturam o público com o privado.
Alguém capaz de ser RH em uma grande empresa era esperta.
A mulher entendeu na hora a insinuação de Amanda Soares.
O RH correu para adular:
— Diretora Amanda, eu realmente só estava descendo por conveniência e acompanhei aquela senhorita. A senhora não pode me demitir por causa de uma coisa pequena dessas.
Amanda Soares endireitou o corpo.
Seu olhar era impassível.
— Ainda não vai dizer a verdade?
O coração da mulher do RH falhou uma batida.
A presença daquela mulher parecia ainda mais imponente que a de Steven.
Suas palmas suavam frio.
— Eu... eu estou dizendo a verdade.
Teimosa até o fim.
Amanda Soares olhou para ela com um brilho gélido nos olhos.
— Eu ouvi tudo o que você disse para Maria Lopes. Você sabia que ela não veio para trabalhar, mas sim para tentar se aproximar de Steven.
O quê? Ela tinha ouvido tudo?
O rosto da funcionária ficou pálido.
O tom de Amanda Soares tornou-se severo:
— Eu jamais manterei uma funcionária como você.
Percebendo que Amanda Soares estava decidida a demiti-la, a mulher viu em José Vieira sua única saída.
Ela implorou desesperadamente:
— Steven, você reconheceu minha competência antes. Disse até que ia aumentar meu salário. Não pode me demitir por isso. Trabalho é trabalho, vida pessoal é vida pessoal. Você tem que separar as coisas.
— A diretora Amanda tem um hobby peculiar. Outras mulheres gostam de comprar bolsas e roupas; ela gosta de comprar ações de conglomerados.
Amanda Soares ergueu uma sobrancelha.
— Eu sou tão excêntrica assim?
José Vieira baixou os olhos carinhosamente para ela.
— Excêntrica ou não, eu gosto. Vamos, vamos para o meu escritório.
José Vieira conduziu Amanda Soares para o elevador, indo direto para a cobertura.
O sol das quatro da tarde entrava obliquamente no escritório.
A luz dourada atravessava as frestas das persianas, projetando manchas luminosas no carpete escuro.
Amanda Soares empurrou a porta entreaberta e entrou.
A barra de seu vestido bege varria suavemente o chão.
Ela andou pelo escritório.
Seu olhar passou pelo panorama da Cidade G na parede.
Passou pelo porta-canetas de porcelana que ela havia lhe dado, num canto da mesa.
Finalmente, parou diante da janela panorâmica curva.

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