Asafe Morais, vendo a situação, desandou a falar:
— Cunhada, Januario Pereira e Beatriz Rebelo foram ao cartório ontem. Parece que aquele idiota finalmente tomou jeito.
— Ah, a propósito, a Beatriz Rebelo está grávida, você não sabia, né? Provavelmente o Januario vai se casar com ela por causa da criança na barriga.
— De qualquer forma, para nós é uma boa notícia. Ué, cunhada, por que você parece um pouco infeliz?
Ela ia se casar com Januario Pereira e nem mesmo Asafe Morais sabia?
Amanda Soares instintivamente olhou para Januario Pereira, que mantinha uma expressão tranquila e devolveu o olhar com franqueza.
Em seguida, José Vieira soltou um riso frio.
— A diretora Amanda ainda sente algo pelo ex?
Asafe Morais travou.
Ficou confuso.
Que situação era aquela? Aquele tom e aquela expressão do Sr. José?
Não era um simples ciúme.
Deu ruim.
Este lugar não era seguro, melhor bater em retirada.
Asafe Morais riu sem graça.
— Sr. José, cunhada, eu tenho umas coisas para resolver, então vou indo. Se precisarem, é só ligar.
Ele falava enquanto recuava.
Quando terminou a frase, já estava longe.
A área era ampla e poucas pessoas passavam por ali.
José Vieira encostou-se preguiçosamente na parede, sem mudar de postura.
Ele brincava com um isqueiro, abrindo e fechando a tampa, a chama azul piscando intermitentemente.
Ele a observava com um ar cínico, como se tentasse ler algo nos olhos dela.
Vendo que ela não falava nada, a atitude de José Vieira esfriou gradualmente.
— A diretora Amanda está chateada por não ter conseguido ser a noiva ontem?
Ele sabia de tudo, e dizer aquilo era apenas para provocá-la.
Amanda Soares sentiu um gosto amargo na boca e achou aquela atitude dele desprezível.
Ela não disse uma palavra, virou-se e saiu andando.
Seus olhos estavam vermelhos.
Só quando gotas de sangue começaram a escorrer por entre seus dedos e pela parede é que ele soltou a mão lentamente.
Olhando para o vermelho vivo, seu pomo de adão oscilou.
Ele engoliu os palavrões que estavam na ponta da língua, transformando-os em um suspiro pesado, com gosto de sangue.
Amanda Soares voltou para o quarto como se nada tivesse acontecido.
Ocasionalmente conversava com Susana Santos, ocasionalmente olhava pela janela, pensativa.
Ela não sabia o que estava pensando; sua mente era uma confusão.
Finalmente, ela entendia o que significava um nó impossível de desatar.
Ao meio-dia, José Vieira recebeu um telefonema e saiu do hospital.
Enquanto Susana Santos tirava a sesta, Amanda Soares pediu que levassem as crianças para casa.
Ela permaneceu ao lado de Susana Santos.
Por volta da uma da tarde, alguém bateu à porta do quarto.
Amanda Soares foi abrir e viu Molly Gaspar parada do lado de fora, sorridente, segurando uma cesta de frutas.

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