Ela estava de frente para a janela, de cabeça baixa.
Segurava o celular com uma expressão séria, como se estivesse ponderando algo, parecendo aflita.
Ele se aproximou devagar e falou de repente:
— Já está tarde, vá para casa descansar.
Amanda Soares levou um susto e se virou imediatamente para olhar quem estava atrás.
José Vieira mantinha o rosto fechado.
Diante disso, Amanda Soares ficou um pouco retraída.
Para ser sincera, ela realmente não tinha experiência em agradar homens.
O dia todo, a mente de Amanda Soares girou em torno de como fazer José Vieira parar de ficar bravo.
Depois de muito pensar e não achar solução, ligou para Miguel Domingos pedindo ajuda.
Quem diria que, antes mesmo de editar o post no Instagram, José Vieira a encontraria.
Vendo que ela demorava a responder, José Vieira falou novamente:
— Pode ficar tranquila, já organizei tudo com a mamãe aqui.
— Volte, descanse esta noite e venha amanhã cedo.
O tom era neutro, nem frio nem quente.
Amanda Soares apertou os lábios e assentiu, concordando.
José Vieira então se virou e deu alguns passos à frente.
Percebendo que Amanda Soares não o seguia, franziu a testa e olhou para trás.
— Não vem?
Amanda Soares despertou de súbito e apressou o passo para acompanhá-lo.
O ar úmido anunciava a chuva de primavera.
Pouco depois de entrarem no carro, uma chuva fina começou a cair incessantemente.
Durante todo o trajeto, não houve qualquer diálogo.
Felizmente, o som da chuva batendo no carro impedia que a atmosfera ficasse constrangedora demais.
Pouco depois, o carro parou em frente à mansão.
O silêncio dentro do veículo era tanto que se podia ouvir o movimento rítmico dos limpadores de para-brisa.
Os dedos de Amanda Soares, segurando a alça da bolsa, estavam brancos.
Na terceira vez que ela olhou de lado, José Vieira finalmente se moveu.
Ele soltou o cinto de segurança.
A fivela de metal fez um clique sonoro.
Ele não olhou para ela, mantendo os olhos fixos na visão embaçada pela chuva à frente.
— O guarda-chuva está à sua direita.
A voz dele era mais fria que a chuva lá fora.
Amanda Soares não disse nada.
Amanda Soares entregou o guarda-chuva à empregada, com a voz baixa.
— Não é nada.
— Vá preparar um chá de gengibre, eu mesma levarei para ele depois.
A empregada assentiu rapidamente.
— Sim, vou fazer agora mesmo.
Amanda Soares não subiu, ficou esperando o chá ficar pronto.
Nesse meio tempo, ela pensou em postar no Instagram.
Mas, pensando bem, Amanda Soares sentiu que esses truques não adiantariam de nada.
Era natural que José Vieira estivesse bravo.
Se fosse ela no lugar dele, provavelmente também não perdoaria fácil.
Amanda Soares tirou o sobretudo e removeu o lenço do pescoço.
Um tempo depois, o chá de gengibre ficou pronto.
Amanda Soares subiu pessoalmente com a infusão fumegante.
Ela parou na porta do quarto, hesitou por um instante e respirou fundo antes de empurrar a porta levemente.
José Vieira havia acendido apenas o abajur de cabeceira, a luz estava fraca.
No entanto, era o suficiente para Amanda Soares ver onde ele estava.

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