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O Amor Me Cegou, Eu Me Iluminei romance Capítulo 553

O coração de Serena Cardoso apertou.

Inconscientemente, ela franziu as sobrancelhas finas.

Mas essa expressão sutil desapareceu num instante.

Ela voltou a ser a assistente Cardoso, sempre composta e estável.

— Dr. Domingos, não é um bom momento. Estou ocupada, preciso ir.

Serena Cardoso exibiu um sorriso superficial.

Quando se virou para sair, Miguel Domingos a chamou novamente.

— Serena Cardoso.

Não era o tom usado com a assistente Cardoso durante o expediente.

Nem o tom sarcástico usado com a Srta. Cardoso após sua demissão.

Era uma das raras vezes que Miguel Domingos a chamava apenas pelo nome.

Os passos de Serena Cardoso cessaram.

Miguel Domingos foi rápido e se colocou à frente dela.

Ele continuava com aquele ar vigoroso e arrogante.

Com as mãos nos bolsos, ele olhou para o crachá da Solatino, com um sorriso indecifrável.

— Serena Cardoso, quanto a Solatino lhe paga? Eu pago o dobro. Volte.

Miguel Domingos era competente.

Entre os herdeiros da Cidade G, ele era considerado o mais capaz.

Mas, em sua essência, ele era igual a todos eles: gostava de olhar os outros de cima.

Serena Cardoso não conseguiu discernir quanta seriedade havia naquelas palavras.

Aquele cinismo fez com que ela apertasse os lábios.

— Dr. Domingos, estou muito satisfeita com meu ambiente de trabalho atual. Agradeço a intenção.

Ela hesitou por meio segundo, antes de sorrir com autoironia.

— Além do mais... O Dr. Domingos já não tem uma nova assistente?

Serena Cardoso esteve no escritório de advocacia por muitos anos.

Mesmo depois de sair, ela sabia exatamente o que acontecia por lá.

Ao terminar de falar, seu olhar não demonstrou nenhum apego.

Ela se afastou apressadamente.

Observando a figura de Serena Cardoso se distanciar, aquela chama de irritação inexplicável em Miguel Domingos pareceu queimar mais forte.

Ele pegou um cigarro casualmente e o prendeu no canto da boca.

Seus olhos fitaram friamente a porta de vidro que se fechava.

Após um longo momento, Miguel Domingos olhou para o relógio de pulso.

Ele soltou um riso frio, esmagou a bituca do cigarro e entrou no carro.

No hospital.

O resultado de compatibilidade de Januario Pereira havia saído.

Portanto, a imagem dele em sua memória sempre vestia aquele terno.

Amanda Soares manteve a expressão inexpressiva.

Januario Pereira, por outro lado, exalava uma alegria desenfreada que transbordava pelos cantos dos olhos.

Ele caminhou elegantemente em direção a Amanda Soares.

Seus dedos longos afastaram os fios de cabelo da testa dela.

Januario Pereira a observou detalhadamente.

Na verdade, exceto pela frieza com que o tratava, ela não parecia ter mudado muito nesses anos.

Ela continuava linda.

Cada traço de seu rosto estava no lugar perfeito.

Olhando para aquele rosto, Januario Pereira conseguia recordar vagamente de como era a vida a dois.

Ela não enxergava, mas era ela quem cuidava de todas as suas necessidades diárias.

Ela segurava a mão dele e, sorrindo, o chamava de "Januario".

Ela preparava chá carinhosamente quando ele fazia hora extra.

Ela passava noites inteiras acordada ao lado dele quando ele adoecia.

Ela colocava as preferências dele em primeiro lugar, até que se tornassem as dela.

Durante todos esses anos, Januario Pereira sonhava com aqueles três anos.

Se pudesse voltar no tempo, ele jamais faria nada para magoá-la novamente.

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