Quem chegava não era um estranho, mas sim Januario Pereira.
José Vieira caminhou em sua direção sem hesitar e disse friamente:
— Quem te mandou vir aqui? Suma.
A camisa de José Vieira estava amassada, e as mangas, dobradas de qualquer jeito.
Em seu pulso exposto, as veias azuis pulsavam sob a pele pálida.
Sua aparência desleixada formava um contraste gritante com a elegância de Januario Pereira.
Januario Pereira estava parado à sua frente, segurando um buquê de flores.
Vestia um terno cinza-escuro feito sob medida, com a linha dos ombros tão reta que parecia desenhada com régua.
O relógio em seu pulso era um modelo discreto de platina, refletindo uma luz fragmentada e contida sob o sol; não era ostensivo, mas exalava um refinamento meticuloso.
Januario Pereira sorriu com presunção, e seu olhar carregava provocação.
— Vim ver minha futura sogra. Com que direito você me manda sumir?
Desde ontem, José Vieira sentia um fogo queimando em seu peito.
A aparição de Januario Pereira foi, sem dúvida, como jogar gasolina na fogueira.
Quando o cheiro de pólvora no ar estava prestes a explodir, ele não disse mais nada.
Fechou o punho e desferiu um golpe violento em direção a Januario Pereira.
Januario Pereira permaneceu parado à sua frente, com um sorriso desdenhoso nos lábios, sem sequer tentar desviar.
Quando o punho estava prestes a atingi-lo, Amanda Soares gritou para impedir:
— José Vieira, pare!
Mas já era tarde demais.
Amanda Soares não teve tempo para pensar. Viu aquela mão de ossos proeminentes descendo com uma força assustadora em direção ao rosto de Januario Pereira e, instintivamente, colocou seu corpo na frente.
Um som surdo de impacto ecoou.
O golpe não acertou o rosto de Januario Pereira, mas atingiu em cheio as costas de Amanda Soares.
Ela sentiu como se tivesse sido atropelada por algo pesado. Uma dor aguda subiu instantaneamente pela espinha, e um gosto doce de sangue surgiu em sua garganta.
— José Vieira, fui eu quem o chamou. — Sua voz tremia um pouco, mas era excepcionalmente clara. — O que tivermos para conversar, falamos depois. Agora, você não pode tocar nele.
Amanda Soares havia enviado uma mensagem para Januario Pereira na noite anterior, informando-o de sua decisão.
O acordo era que ele viesse ao hospital hoje à noite. Ela o levaria pessoalmente para fazer o teste de compatibilidade com Susana Santos. Somente assim Amanda Soares poderia ficar tranquila.
A mão de Januario Pereira paralisou por um instante.
Ele olhou inconscientemente para o rosto pálido dela. Aquele brilho imperceptível em seus olhos se dissipou silenciosamente, dando lugar a uma tonalidade ligeiramente sombria.
Ele não disse nada, apenas permaneceu atrás de Amanda Soares.
Então, arqueou as sobrancelhas e olhou para José Vieira com um sorriso vitorioso no canto da boca.
José Vieira, por sua vez, tinha o olhar fixo na testa franzida de Amanda Soares devido à dor, e depois em sua própria mão ainda suspensa no ar.
Seu coração parecia ter sido esmagado por algo, amargo e ácido.
Ele usara toda a sua força naquele soco; podia até imaginar o quanto aquele impacto doera nela.
José Vieira quis dizer algo — demonstrar preocupação ou questionar — mas, no fim, apenas apertou os lábios com força.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Amor Me Cegou, Eu Me Iluminei