Num instante, a mente de Amanda Soares ficou em branco.
Ela segurava o celular, estática, até que a voz ansiosa da empregada soou novamente:
— Srta. Amanda, consegue me ouvir?
Amanda Soares recobrou a consciência.
— Estou indo para o hospital agora mesmo.
Ignorando João Vieira, Amanda Soares saiu correndo da fila apressadamente.
Ao verem a cena, o adulto e as duas crianças, que tinham acabado de descer do barco pirata, correram em sua direção.
— O que aconteceu? — Perguntou José Vieira.
Amanda Soares parecia não ouvir, continuando a caminhar em direção à saída.
José Vieira ficou preocupado, pois nunca tinha visto Amanda Soares com uma expressão tão transtornada.
Ela sempre fora calma e serena; aquele pânico era inédito.
José Vieira agarrou o braço dela.
— Amanda, não me assuste, o que aconteceu?
Amanda Soares manteve a expressão vazia, mas as lágrimas caíam como contas de um colar arrebentado.
— Minha mãe desmaiou de repente e está sendo levada para o hospital.
José Vieira percebeu subitamente a gravidade do problema, e até as duas crianças ficaram sérias.
Ele tentou acalmá-la.
— Amanda, a mamãe vai ficar bem, nós vamos para lá agora.
Segurando a mão de Amanda Soares, José Vieira instruiu Ezequiel.
— Ezequiel, cuide da sua irmã.
— Pode deixar. — Respondeu Ezequiel.
A família de quatro pessoas entrou no carro, e José Vieira ligou para Asafe Morais.
Ele precisava ficar ao lado de Amanda Soares o tempo todo e não poderia cuidar das crianças.
Asafe Morais chegou ao hospital quase ao mesmo tempo que eles.
As crianças foram entregues aos cuidados de Asafe Morais, e José Vieira levou Amanda Soares direto para o quarto do hospital.
Embora fosse o terceiro dia do ano, o clima festivo ainda era intenso.
A mão da enfermeira era firme, denunciando sua vasta experiência.
Quando o esparadrapo foi removido, os furos roxos das agulhas na mão de Susana Santos feriram os olhos de Amanda.
Amanda Soares não aguentou e virou-se de costas, fingindo arrumar as cortinas, mas o vidro refletiu seus olhos vermelhos.
Ao lembrar do que o médico dissera no corredor, as mãos de Amanda Soares não paravam de tremer.
— Se não conseguirmos um rim em três dias, a paciente provavelmente não sobreviverá a este mês.
Amanda Soares olhou para os galhos lá fora, onde o vento frio soprava e batia no vidro, soando como alguém soluçando baixinho.
Ela cerrou os punhos para impedir que o soluço escapasse.
A noite inteira, Amanda Soares não pregou o olho.
José Vieira também ficou acordado ao lado dela.
Vendo-a tão abatida, José Vieira sentia apenas dor no coração.
Ao amanhecer, Susana Santos ainda não dava sinais de despertar.
José Vieira saiu e comprou a sopa de capeletti favorita de Amanda Soares.

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