Lília Andrade hesitou por um momento.
— O que eu disse?
Vicente Freitas não respondeu, apenas a observou com aquele olhar profundo.
Lília Andrade pensou por alguns segundos até perceber que ele se referia à declaração de amor que ela fizera na frente de Ronaldo Silva.
Ela encarou as feições belas do homem à sua frente, notou o olhar cheio de expectativa e não conseguiu conter o riso.
Ela já havia lhe dito que gostava dele várias vezes antes, mas nunca o tinha visto com uma expressão daquelas.
Mas, já que ele queria ouvir, ela repetiria com prazer.
Nesse aspecto, Lília Andrade estava sempre disposta a agradar a pessoa que amava.
Ela se aproximou mais de Vicente Freitas, enlaçou os braços em torno de seu pescoço, encostou os lábios rosados perto do ouvido dele e falou com a voz bem suave.
Contudo, suas palavras carregavam uma determinação inabalável:
— Eu te amo, Vicente!
— Obrigada por me trazer à Cidade Capital. Obrigada por tudo o que me proporcionou.
— Também agradeço por sua ternura e companhia. Isto é apenas o começo. A cada dia que passar, eu vou te amar ainda mais do que amo hoje.
Com alguém tão incrível como ele, ela só poderia se apaixonar cada vez mais profundamente!
Os sentimentos entre eles eram mútuos.
Antigamente ela sentia medo, mas não sentia mais.
Porque ele havia lhe dado a coragem necessária, e ela estava disposta a entregar-lhe todo o seu coração!
Vicente Freitas ouviu exatamente o que ansiava, e sua voz ficou embargada.
Ele quis dizer alguma coisa, mas sentiu que, naquele momento, qualquer palavra seria inútil.
Achava que não existia frase no mundo mais bela do que a que ela acabara de pronunciar.
Um turbilhão de emoções transbordou em seu peito.
Vicente Freitas segurou firmemente a cintura dela, suas mãos grandes a puxaram para si e ele a prendeu em um abraço apertado.
Um beijo intensamente ardente a tomou, como se quisesse derreter Lília Andrade em seus braços, fundindo-a ao seu próprio corpo.
Lília Andrade ergueu o rosto de maneira dócil, correspondendo de forma impecável.
Não se sabia quanto tempo havia se passado. O homem, ofegante, libertou os lábios que beijava há tanto tempo, com uma expressão repleta de ternura.
Com a voz grave, sensual e rouca, disse a Lília Andrade: — Eu também!
Aquelas simples palavras fizeram o coração de Lília Andrade pular uma batida.
Ela não conseguiu se conter, inclinou-se novamente e deu uma leve mordida nos lábios avermelhados do homem.
Em seguida, imitando a forma como ele a beijava, tentou aprofundar o contato.
Foi a primeira vez... que ela o provocou com tanta ousadia.
Vicente Freitas soltou um gemido abafado, apertou a cintura dela e uma expressão de desejo incontrolável surgiu em seus olhos.
Lília Andrade percebeu.
Suas bochechas estavam coradas, a respiração levemente ofegante, e em seu olhar transbordava uma paixão capaz de enfeitiçar qualquer um.
O semblante usualmente frio de Vicente Freitas foi imediatamente tomado por um desejo ardente.
Lília Andrade estava morta de vergonha.
Seu rosto ardia num tom escarlate.
Ela lançou a ele um olhar indignado e disse: — Como você... pode ser tão mau comigo?
Vicente Freitas exibiu um sorriso descontraído e sensual, respondendo: — É porque a Lília parece tão boazinha que não consigo resistir à vontade de provocá-la. Além disso, você também quer, não é?
Dizendo isso, aproximou-se do ouvido dela propositalmente e sussurrou uma ousadia: — A Lília está gostando bastante...
Lília Andrade queria sumir de tanta vergonha.
Ele era terrível demais. Vestia um terno sob medida impecável, que lhe dava uma aparência extremamente distinta e elegante.
Mas, na realidade, apenas os dois sabiam o quão atrevido ele era sob aquela fachada refinada!
As mãos quentes continuavam com suas travessuras.
Lília Andrade, quase chegando ao limite, teve que implorar por piedade: — Tem gente no banco da frente. Por favor, vamos deixar para quando chegarmos em casa, sim? Quando chegarmos, você pode fazer o que quiser.
O pomo de adão de Vicente Freitas subiu e desceu. Com a voz rouca, ele respondeu: — Claro que sim. Mas, antes disso, eu também quero cuidar bem da minha Lília. Então, a Lília tem que fazer silêncio, para que ninguém ouça...
Lília Andrade soltou um gemido contido. Vendo que ele ficava cada vez mais ousado, restou-lhe apenas dar uma mordida indignada no ombro dele.
Vicente Freitas, quem diria que você fosse esse tipo de pessoa!!!
Não soube precisar em que momento o carro parou.
Lília Andrade havia praticamente derretido, com os olhos vermelhos e lágrimas umedecendo os cílios.
A pessoa do banco da frente já havia descido do veículo e, com muito bom senso, desaparecido discretamente.
Lília Andrade recuperou o fôlego após algum tempo e foi carregada por Vicente Freitas para dentro da casa, onde ele tratou de cobrar a promessa feita no carro.

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