Por fim, ele soltou um riso leve, olhou para Ronaldo Silva e disse:
— Presidente Silva, ter confiança é algo bom, mas excesso de confiança torna-se uma piada! Espero que o incidente de hoje não se repita!
Com essa última frase proferida, Vicente Freitas não deu mais atenção àquele homem e conduziu Lília Andrade diretamente para o seu próprio carro.
Os olhos de Ronaldo Silva doeram ao testemunhar aquele gesto íntimo.
Observar a forma dócil e submissa como Lília Andrade se portava ao lado daquele homem o deixou com o rosto pálido.
Antes de chegar à Cidade Capital, ele estava, de fato, transbordando confiança. Acreditava que a atitude de Lília Andrade era apenas uma decepção passageira.
Achava que, bastando um pouco de persuasão, ela retornaria para o seu lado.
Contudo, os acontecimentos subsequentes o fizeram perceber aos poucos que nada era como ele imaginava.
A sua Lília Andrade não voltaria mais. Ela estava profundamente imersa na ternura tecida por outra pessoa.
Ronaldo Silva pensava que, se pudesse engolir o orgulho e implorar para que ela voltasse, ela cederia.
Porque no passado, bastava que ele lhe demonstrasse o mínimo de afeto para que Lília Andrade ficasse feliz por dias.
Portanto, se ele se mostrasse vulnerável, ela certamente ficaria comovida e retornaria.
Ele nunca considerou que alguém como Vicente Freitas pudesse se apaixonar de verdade por Lília Andrade.
Inclinava-se a acreditar que Vicente Freitas estava apenas ajudando Lília Andrade a se vingar, para fazê-lo perceber a importância delas.
Vicente Freitas não gostava dela de verdade...
Justamente por abrigar esse pensamento, ele sempre achou que ainda tinha chances de vencer.
Mas foi somente naquele momento, ao observar as costas dos dois se afastando, que Ronaldo Silva percebeu bruscamente que seu raciocínio estava completamente equivocado.
Desde a chegada de Lília Andrade à Cidade Capital, os caminhos que Vicente Freitas havia aberto para ela deixavam evidente que as intenções dele eram sérias!
A esperança oculta que ele guardava foi completamente despedaçada pela realidade.
O rosto de Ronaldo Silva assumiu uma palidez doentia, e seu peito foi tomado por um vazio angustiante.
Pela primeira vez em sua vida, experimentou sentimentos de desorientação e pânico.
Era a sensação de ter algo muito importante, algo que lhe pertencia, arrancado de suas mãos.
Claro, o que mais o afetava era o fato de que Lília Andrade não o amava mais.
Ela havia se apaixonado por outro!
Ele não podia mais enganar a si mesmo, acreditando que tudo não passava de uma mentira da parte dela.
Porque ele vira com os próprios olhos.
Ao proferir aquelas palavras, todo o coração e todo o olhar dela estavam voltados para o homem que a abraçava.
Aquele era o olhar que antes ela reservava a ele.
Agora, pertencia inteiramente a outro homem.
Ronaldo Silva sentiu uma onda de sufocamento. Seu peito parecia ter sido rasgado por uma lâmina.
Uma dor aguda e constante o invadiu.
Finalmente, ele provou o amargo sabor de um coração partido.
Sem esperar a resposta dela, ele puxou a mão da jovem e a envolveu em sua própria palma.
A mão dela estava gelada. Os dedos finos e delicados estavam tão frios que os contornos das veias sob a pele ficavam visíveis.
Vicente Freitas esfregou pacientemente a mão dela com a sua palma e, em seguida, pegou um aquecedor de mãos do compartimento do carro e o colocou sobre as mãos dela.
Lília Andrade deu uma olhada no objeto e não pôde evitar um sorriso.
O aquecedor de mãos era pequeno e bastante adorável.
Havia outro ao lado, com o formato de uma raposinha rosa. Era evidente que haviam sido comprados especialmente para ela e Maia.
— Gostou? — perguntou Vicente Freitas com a voz baixa e suave.
Lília Andrade fechou os olhos num sorriso, acenou com a cabeça e respondeu: — Gostei. Se foi um presente seu, eu sempre vou gostar!
Ela nunca se importou com o valor monetário dos presentes, apenas com o carinho por trás deles.
E Vicente Freitas sempre conseguia tocar o seu coração com eles.
Como naquele exato momento: o que ela precisava não era de joias ou adornos caros, mas de um simples e comum aquecedor de mãos.
Vicente Freitas a puxou para si, aninhando-a em seus braços. Após levantar a divisória que os separava do motorista, ele perguntou com um tom envolvente: — Lília, você acha que eu sou bom para você?
— Muito bom!
Lília Andrade respondeu sem sequer pensar, elogiando-o prontamente: — Claro que você é maravilhoso! Neste mundo, não existe ninguém melhor do que você!
O olhar de Vicente Freitas escureceu ligeiramente. Ele segurou a cintura dela com facilidade e a acomodou em seu colo, deixando-a de frente para ele.
— Então, Lília... você poderia repetir o que disse há pouco?

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