Vicente Freitas estendeu a mão e afagou suavemente a cabecinha dela, respondendo com um tom gentil e paciente:
— Claro que sim. Se a Maia não ficar com o papai e a mamãe, para onde mais ela iria?
Diante dessa resposta, a pequena encostou a cabeça no peito do pai.
Com as mãozinhas agarrando a roupa dele e com os olhos marejados, ela disse:
— Eles... querem levar a Maia embora. A Maia não quer ir. Quer ficar com o papai e a mamãe, com o vovô e a vovó. Não quer ir a lugar nenhum!
Vicente Freitas acariciou levemente as costas dela e disse:
— Sim, como o papai disse agora há pouco, desde que a Maia seja corajosa para expressar seus pensamentos, o papai realizará todos os seus desejos. Agora, esse desejo que você pediu, o papai promete cumprir! No entanto, isso pode exigir a colaboração da Maia. A Maia estaria disposta a ajudar?
Maia piscou os olhos e, sem pensar duas vezes, assentiu com a cabeça, dizendo:
— Sim!
Vicente Freitas enxugou as lágrimas dela e falou pausadamente:
— Então, a partir de agora, você precisa memorizar tudo o que o papai disser, está bem?
— Está bem! — respondeu Maia com sua voz doce e infantil.
Vicente Freitas não usou palavras vazias para enganá-la, mas explicou o plano que viria a seguir.
Para poder permanecer ao lado do papai e da mamãe, a pequena ouviu com extrema atenção.
De tempos em tempos, ela assentia obedientemente, indicando que havia memorizado.
Ocasionalmente, mostrava uma expressão hesitante, como se não estivesse muito disposta.
Mas sob o encorajamento gentil de Vicente Freitas, logo voltava a assentir e concordar.
Pai e filha conversaram assim por meia hora.
Quando Vicente Freitas terminou de explicar o plano, a pequena finalmente pôde se tranquilizar.
Ao mesmo tempo, ela atingiu seu limite, sendo tomada por um sono avassalador.
Ela abriu a boca num bocejo e, pouco depois, encostou-se em Vicente Freitas, adormecendo profundamente.
Chegava até a sentir que sua própria existência era um erro. Acreditava que, por causa dela, a mamãe e os avós sofriam tudo aquilo.
Quando Lília Andrade ouviu aquelas palavras do lado de fora, não conseguiu se conter e as lágrimas rolaram.
Quão afortunada ela era por ter uma menina tão sensata e obediente. Todo o seu esforço em amá-la desesperadamente valia a pena.
Ela preferiria morrer a deixar que a família Silva levasse a Maia!
Vicente Freitas sabia que a emoção dela dificilmente se acalmaria em pouco tempo.
Então, disse a Dona Amanda:
— Desculpe o incômodo, mas a senhora poderia cuidar da Maia esta noite?
Dona Amanda entendeu o que ele queria dizer e assentiu imediatamente:
— Claro, pode ficar tranquilo, a Maia fica comigo. Vou velar o sono dela esta noite; qualquer coisa, eu chamo vocês.
Em seguida, entrou no quarto com discrição.

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