Vicente Freitas assentiu e disse:
— Sim, qualquer coisa. Eu sempre cumpro o que prometo.
A expressão de Maia parecia um pouco conflituosa. Depois de um bom tempo, ela finalmente perguntou:
— Então... continuar sendo meu papai e ficar com a mamãe para sempre, isso também pode?
Ao ouvir as palavras da criança, Vicente Freitas sorriu e respondeu:
— Claro que sim. Essa já era a minha intenção. Mesmo que você não pedisse, eu faria isso de qualquer maneira.
Vicente Freitas, com paciência e gentileza, indagou:
— A Maia está preocupada com alguma coisa?
A pequena baixou os olhos, seus cílios densos tremiam levemente, e suas mãozinhas torciam o lençol.
Parecia estar lutando com algum pensamento.
Vicente Freitas não a apressou, deixando-a pensar por si mesma.
Passou-se mais um tempo até que ele ouviu a voz bem baixinha da pequena:
— A Maia não é uma boa menina. Eu fiz o vovô e a vovó se machucarem, deixei a mamãe triste e deixei aquelas pessoas ruins intimidarem eles! Será que a Maia errou? A Maia não devia... não devia ter fingido que esqueceu o vovô malvado, a vovó malvada e o papai ruim?
A Maia de antes, devido ao seu fechamento, certamente não pensaria em tantas coisas.
Mas agora ela havia se recuperado e sua inteligência era superior à de outras crianças.
Somado a isso, ela era emocionalmente sensível e naturalmente sabia o quanto a mamãe havia se sacrificado e suportado por ela.
Antes, sem ver as pessoas da família Silva, Maia conseguia passar seus dias tranquilamente.
Mas naquela tarde, com a chegada da família Silva, Maia viu com seus próprios olhos que a avó se feriu por sua causa, o que rasgou o disfarce que a criança mantivera durante esse tempo.
Na verdade, ela entendia tudo, compreendia tudo.
Tudo aquilo acontecia por causa dela.
— Porque você sabe se preocupar com a saúde do vovô e da vovó, e também sabe como não deixar a mamãe triste. Quando os adultos estão ocupados, a Maia não faz birra nem barulho, cuida das suas próprias coisas... Você é tão sensata que eles só têm amor por você; como poderiam te culpar?
— O ferimento da vovó não tem nada a ver com a Maia. Se pessoas ruins intimidam os outros, o erro é delas, e isso não pode ser colocado na conta da Maia.
— Quanto a esquecer as pessoas que não te trataram bem, não há nada de errado nisso. Todos nós esperamos que o futuro seja bom.
— A Maia tem pouco mais de quatro anos, é apenas uma criança pequena. Assim como as outras crianças da escola, nesta idade, você deve crescer livre de preocupações.
— O mundo dos adultos é muito complexo, e há muitas coisas que a Maia ainda não consegue entender. Não precisa se preocupar com isso, o papai e a mamãe vão resolver tudo.
— O que a Maia precisa fazer é crescer feliz e não deixar que essas pessoas desagradáveis ocupem seus pensamentos.
Ao ouvir aquele consolo, Maia ainda parecia muito inquieta. Quando falou, sua voz infantil carregava um tom de choro:
— Então a Maia... pode ficar para sempre, sempre ao lado do papai e da mamãe?
O que ela mais temia era ser levada por aquelas pessoas detestáveis e nunca mais ver o papai e a mamãe.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nunca Mais — O Amor Que Você Desperdiçou