Ao perceberem isso, ninguém mais ousou menosprezar Lília Andrade.
Elas perceberam que, enquanto tentavam impedir a entrada de Lília na alta sociedade, a própria Lília nem parecia ter intenção de se misturar com elas.
Ela não precisava desse tipo de contato; ela estava caminhando para lugares mais altos.
Esse tal círculo da elite era irrelevante para ela.
Alice Sanches, vendo a cena, sentiu o coração afundar completamente.
Ela queria lutar, queria inventar mais desculpas.
Mas diante daquela situação, nem a melhor oratória do mundo poderia salvá-la.
Ela não tinha mais chances.
Alice não era estupidamente incurável.
Ela percebeu que aquelas três pessoas tinham vindo desde o início para apoiar Lília!
Quando ela caluniou a competência de Lília, dizendo que ela não merecia sua posição, eles se levantaram para provar o contrário, mostrando a todos que Lília havia curado casos gravíssimos!
E os pacientes eram todos figuras inalcançáveis!
Ela zombou que Lília não era digna de Vicente, mas Lília já havia conquistado a admiração de tantos poderosos por mérito próprio.
Suas ações esta noite, ali e em todo o círculo social, tornaram-se uma piada!
Não só ela estava acabada, como também arrastou todo o futuro da família Sanches para o buraco!
O pânico tardio fez Alice começar a sentir medo, a querer implorar por misericórdia.
Mas Lília nem sequer lhe lançou mais um olhar, nem mesmo se deu ao trabalho de expulsá-la.
A indiferença era a maior das humilhações!
Quanto aos outros presentes, todos sabiam que a família Sanches estava acabada.
Ninguém ousou defender Alice; simplesmente a ignoraram, transformando-a em uma pessoa invisível.
As poucas pessoas que olhavam para ela demonstravam nojo, deixando claro que queriam distância e não desejavam qualquer associação com ela.
Alice cambaleou, quase caindo no chão.
Não suportando mais a atmosfera, virou-se e fugiu humilhada do local.
A desesperada Amanda Lacerda, vendo-a correr, também não ousou ficar e correu atrás dela.
O tumulto terminou com a saída vergonhosa das duas.
Nesse momento, Lília estava agradecendo a Dona Molly e aos outros.
Ela ergueu sua bebida em um brinde:
— Esta noite, sou muito grata à Dona Molly, aos meus padrinhos e ao Comandante Enrico por terem vindo e falado por mim. Um brinde a vocês.
Dona Molly olhou para ela com ternura:
— Menina tola, agradecer pelo quê? Ajudar você não é nossa obrigação?
— Aquela ali não passava de uma palhaça saltitante; lidar com ela foi fácil.
— Quanto àqueles de visão curta, por que se importar com a opinião deles? Você se saiu muito bem agora há pouco.
Enrico Moura também elogiou:
— Exato. Manteve a calma no caos, lidou com serenidade. É preciso ter essa postura para que os demônios não ousem te intimidar.
— Um par tão compatível, como alguém pode achar que não combinam?
— Na minha opinião, não há ninguém que combine mais... não é mesmo?
As últimas palavras foram dirigidas a alguém atrás de Lília.
Lília virou-se curiosa e, de repente, viu seu Mestre e seus pais.
Ela ficou atônita:
— Pai, mãe... o que vocês estão fazendo aqui?
Os olhos de Maria Lacerda ainda estavam vermelhos. Eles tinham assistido a tudo e, ao ver a filha sendo excluída e caluniada por tanta gente, seu coração quase se partiu, segurando as lágrimas.
Se não fosse pelo velho Mestre os impedindo, eles teriam corrido para proteger a filha há muito tempo.
Jobson Andrade não disse nada, apenas se aproximou com a esposa e segurou a mão de Lília.
Sentindo o calor das mãos dos pais, Lília sentiu um aperto no peito.
Ela adivinhou que eles provavelmente tinham visto tudo.
O gesto deles era uma forma de consolá-la.
Lília sentiu-se mal.
Ela sempre soube o quanto seus pais se preocupavam com ela.
O motivo pelo qual eles desaprovavam seu relacionamento com Vicente era justamente o medo de que algo assim acontecesse.
E, no fim, eles acabaram presenciando tudo com os próprios olhos.

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