— Mas não subestimem a Lília; ela tem o dom da cura e me tratou por vários dias.
— Nestes últimos dias, mesmo sem o aparelho auditivo, consigo ouvir alguns ruídos vagos quando saio na rua.
— Se continuar assim, talvez eu recupere parte da audição!
Falando sobre o tratamento, Enrico olhou para Lília com admiração e elogiou:
— Essa menina tem habilidade real, mas o temperamento... é um pouco autoritária, controla tudo com rigor.
Essas palavras fizeram Dona Molly e Ezequiel Vergara concordarem profundamente:
— Nem me fale! É rigorosíssima!
Cada vez que precisavam tomar o remédio, ela ficava em cima, com medo de que esquecessem ou não tomassem.
Mesmo quando não podia estar presente pessoalmente, ligava frequentemente para saber a situação, receosa de que não obedecessem ou não seguissem a dieta.
Lília Andrade, vendo aquela rara sintonia entre eles, sorriu com certa resignação:
— Onde já se viu tanto exagero? Eu apenas peço que sigam a prescrição médica, é para o bem de vocês.
— Querem se curar, mas se não tomarem o remédio direito, como vão melhorar?
— Especialmente o senhor, Comandante Enrico. Quando fica ocupado, sempre esquece a hora. Se continuar assim, quer recuperar a audição ou não?
— O remédio tem que ser tomado na hora certa! Não me faça repetir!
Quando ela ficava séria, nenhum dos mais velhos conseguia contrariá-la.
Enrico Moura só pôde responder sorrindo:
— Sim, sim, você está certa, erro meu, erro meu!
Aquele homem, uma figura temida e respeitada onde quer que fosse, mudava instantaneamente o tom para um de submissão e resignação diante de Lília, como se não tivesse outra escolha.
Era óbvio que, durante o tratamento, ele havia sido submetido às rigorosas exigências da Dra. Lília.
Todos no local que presenciaram essa cena, exceto Hugo Alves e Vicente Freitas, ficaram boquiabertos!
Qualquer um deles poderia se levantar para defendê-la.
E pela atitude deles, o reconhecimento por Lília era genuíno, não por causa de terceiros.
Ao perceberem a situação e lembrarem de como a ridicularizaram e caluniaram, sentiram como se tivessem levado um tapa na cara.
Sentiram-se como verdadeiros palhaços.
Todos tentaram excluir Lília desse suposto círculo da alta sociedade, mas será que Lília se importava?
Ela não se importava!
O círculo em que ela transitava estava em um patamar infinitamente superior ao deles.
As pessoas com quem ela se relacionava tinham poder, influência e status real!
Eram pessoas que eles, talvez em toda a vida, jamais conseguiriam acessar.
Com esse tipo de respaldo, o fato de ela ser divorciada, comparado a isso, era um detalhe insignificante, não acham?

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