O velho ergueu as sobrancelhas, olhando para ele: — Você sabe qual foi a minha intenção? Vicente Freitas assentiu: — Sei. Eu observei o caminho que o senhor pavimentou para ela recentemente. Imagino que fez isso esperando que, no futuro, independentemente do que aconteça, Lília tenha mais segurança e respaldo. No entanto, ao meu ver, isso ainda não é suficiente. — Hum? — O velho riu ao ouvir isso. — Não é suficiente? Por quê? Para mim, já basta. Seja com Ezequiel Vergara ou Molly, com a proteção deles, Lília pelo menos não será intimidada por qualquer um. Além disso, se a família Freitas tentar intimidar Lília no futuro, não será tão fácil. A família Vergara e a família Duarte não ficam atrás da família Freitas. Pelo menos, estando ao lado deles, Lília terá mais confiança do que tem agora! Vicente percebeu que talvez tivesse interpretado mal a intenção do velho ao preparar o terreno para Lília. O mestre não tinha exigências tão altas quanto as dele. O velho apenas queria que Lília tivesse mais opções no futuro, só isso. Mas ele era diferente; ele queria... Vicente conteve seus pensamentos e não disse mais nada, apenas continuou a jogar xadrez em silêncio. Ao fim da partida, Vicente Freitas perdeu por pouco. O velho, ao ver o resultado, ergueu as sobrancelhas: — Você, rapaz... sabe mesmo como agradar as pessoas. Deixou-me ganhar de propósito! Originalmente, as peças dele tinham chance de interceptar o ataque do mestre. Vicente disse cortesmente: — Foi minha primeira partida com o mestre, quis deixá-lo contente! O velho ouviu a resposta e sentiu uma mistura de riso e irritação: — Quem pediu para você deixar? Eu sei perder! E outra, o assunto de agora pouco ainda não acabou. Vicente sorriu: — Sem pressa. Há coisas que ainda não organizei, podemos conversar na próxima vez. Já está tarde, o senhor deve estar na hora de descansar, não? Lembrado por ele, o velho olhou a hora. Realmente, era tarde. No entanto, ele não queria se deslocar àquela hora e decidiu pernoitar na casa da aprendiz. Vicente não disse mais nada e começou a recolher as peças do tabuleiro. O jantar em família terminou e todos se dispersaram. Vicente foi o último a sair. Antes de partir, Maia parecia pressentir algo; abraçou as pernas longas dele com uma expressão de relutância. Com sua vozinha de bebê, perguntou tristemente: — Por que o papai não mora aqui em casa? Você não volta há tanto tempo... fica um pouco com a Maia... A garotinha balançava as mãozinhas fazendo manha; aquele tom suave era irresistível. Em situações normais, dado o quanto Vicente mimava a criança, ele certamente ficaria. Mas naquela noite, o velho e os pais de Lília estavam presentes. Vicente, que ainda não tinha a aprovação total dos mais velhos, não queria desafiar os limites deles por enquanto. Então, afagou a cabeça da pequena e consolou suavemente: — Maia, seja boazinha. O papai está ocupado estes dias. Daqui a alguns dias eu venho ficar com você, pode ser? Maia fez um bico: — Não, não... Maia quer ouvir história de ninar do papai, por favor... Para convencê-lo, a menina fez uma cara de coitadinha, com os grandes olhos marejados, como se fosse chorar a qualquer momento se ele recusasse. Lília observava a cena achando graça. Essa menina, depois de alguns dias sem vê-lo, estava cada vez mais manhosa. Antes, ela não era tão grudenta assim com a mãe. Lília estava até com um pouco de ciúmes!

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