Maia juntou os dedos indicadores, hesitante, por um bom tempo antes de olhar para o pai e perguntar, angustiada:
— Posso não ir para a escola?
Vicente Freitas, ao contrário do que a maioria das pessoas faria, não disse que não. Em vez disso, respondeu:
— Pode não ir, mas fugir não é a atitude correta, nem é o que uma criança corajosa faria...
Sua abordagem não despertou a aversão da menina. Pelo contrário, a pequena o observava, ouvindo-o com atenção. Vicente Freitas continuou, pacientemente:
— Na verdade, as outras crianças são como a Maia, muito bem-comportadas e educadas. Quando surge um conflito, elas conversam para resolver, sem chegar ao ponto de brigar fisicamente. E se isso acontecer, sempre haverá um professor para intervir, como o Prof. Daniel! E se não houver, você pode chamar o papai. Se alguém mexer com a Maia, o papai com certeza irá protegê-la!
Maia assentiu, parecendo entender em parte, mas sua expressão ainda era de hesitação.
Vicente Freitas sorriu e perguntou:
— Maia não acredita em mim?
A pequena balançou a cabeça imediatamente.
— Acredito! Maia acredita no papai. Então... se eu for para a escola, o papai vai me levar? — Ao terminar a pergunta, seus olhos brilhavam de expectativa.
Vicente Freitas respondeu com um tom gentil:
— Claro. Se a Maia for corajosa e quiser ir para a escola, o papai a levará pessoalmente!
Ao ouvir isso, a expressão da menina se suavizou, e um sorriso feliz iluminou seu rosto.
— Então... Maia quer tentar ir!
Satisfeito, Vicente Freitas apertou suavemente suas bochechas gordinhas.
— Maia é uma boa menina. Então, nestes dias, vamos preparar a Maia psicologicamente. Quando a Maia se sentir pronta, o papai a levará pessoalmente para a escola!
— Certo! — Maia assentiu com a cabeça, radiante. — Que bom! De agora em diante, o papai e a mamãe vão me levar para a escola!
De tão feliz, Maia correu para compartilhar a boa notícia com o pequeno Flash. Os dois, de mãos dadas, giraram em círculos.
Lília Andrade observava a cena, atônita. *Era só isso?* Então todo o seu esforço para convencê-la, toda a sua conversa, tinha sido em vão? Ela chegou a suspeitar que a pequena estava fingindo tristeza de propósito, apenas para convencer Vicente Freitas a levá-la à escola. Mas não tinha provas.
Vicente Freitas, divertido com a expressão dela, perguntou:
— Por que essa cara?
Lília Andrade respondeu com um tom de resignação:
Lília Andrade, ao ouvir aquilo, entendeu subitamente, sem que ele precisasse dizer mais. Ele se referia a que, se o relacionamento deles mudasse, teriam que reconstruir a confiança e a dependência com a criança. Então... ele não queria esse trabalho?
Já que ele havia tocado no assunto, Lília Andrade aproveitou a oportunidade.
— Hoje fui ao instituto de pesquisa e encontrei meu mestre.
Vicente Freitas assentiu.
— Correu tudo bem? Eles não criaram dificuldades para você, certo?
Lília Andrade balançou a cabeça.
— Não, todos foram muito gentis, e os veteranos são fáceis de lidar. Mas meu mestre me disse que você doou um lote de equipamentos médicos ao instituto. O preço que você mencionou antes... era isso?
Vicente Freitas não se surpreendeu que ela soubesse e não negou.
— Sim. A Aresa Defesa e Tecnologia tem várias parcerias com o governo, incluindo a área médica. Superficialmente, parece uma perda financeira. Mas, na prática, construímos contatos e relacionamentos. Quando eu disse que a perda não foi grande, era a isso que me referia. Na verdade, a longo prazo, fui eu quem saiu ganhando. Primeiro, a participação da Aresa Defesa e Tecnologia fortalecerá futuras colaborações entre as partes. Segundo, se você continuar trabalhando lá, essa ação, indiretamente, também lhe oferecerá proteção. Embora eu não os conheça pessoalmente, em um lugar como um instituto de pesquisa, não faltam veteranos arrogantes que se aproveitam da idade para serem difíceis e procurar pelo em ovo. O grupo de novatos recém-formado enfrentou forte oposição da parte deles, e certamente haveria dificuldades no futuro. Mas, com o que fiz, se eles quiserem te prejudicar, terão que considerar essa nova camada de proteção.
Nesse ponto, Vicente Freitas a olhou com firmeza.
— Lília, por um desejo meu, você veio para a Cidade Capital. Sendo assim, não quero que sofra qualquer injustiça. Quero que você faça o que quiser, que possa mostrar plenamente sua capacidade, sem nenhuma preocupação!

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