Depois do almoço, o velho mestre foi tirar uma soneca. Lília Andrade, temendo que Maia pudesse perturbar o descanso do ancião, levou a menina para casa.
No caminho, Lília Andrade aproveitou para conversar com a pequena sobre a nova escola. Com paciência, ela explicou a Maia:
— Na nova escola, haverá novos professores, novos coleguinhas. Maia poderá continuar a aprender muitas coisas.
No entanto, a expressão de Maia era de receio; ela não parecia muito animada com a ideia. Murmurou para a mãe:
— Mas eu não conheço ninguém, mamãe. Tenho medo...
Lília Andrade compreendia perfeitamente que uma criança ficasse ansiosa ao mudar para um novo ambiente e ter que lidar com pessoas desconhecidas. Então, com ternura, tentou acalmá-la:
— Não precisa ter medo. As crianças de lá são como as da Cidade R, não há diferença. Todas poderão brincar com você.
— É vedade? — Maia perguntou, erguendo a cabeça.
Lília Andrade assentiu.
— Se a minha pequena não acredita, que tal a mamãe te levar para dar uma olhadinha primeiro?
Maia hesitou por um momento e, depois de um tempo, assentiu com relutância.
— Então vamos só dar uma olhadinha...
Vendo que ela concordou, Lília Andrade mudou o percurso e levou a filha à escola que Vicente Freitas havia mencionado.
Ao chegarem, ela não entrou imediatamente com Maia. As duas ficaram do lado de fora, observando.
Esta escola era diferente da de Cidade R. Não era uma escola especial, mas um jardim de infância de elite. A própria arquitetura externa exalava um ar de prosperidade. Em contrapartida, as instalações e a qualidade do ensino eram, sem dúvida, excepcionais. A escolha de Vicente Freitas certamente não seria equivocada.
Dali, era possível ver algumas crianças brincando no pátio. Talvez Lília Andrade tenha chegado em um mau momento, pois presenciou duas crianças discutindo. Uma delas, com um ar mimado, sentou-se no chão e começou a chorar alto.
Ao ver a cena, Maia imediatamente se escondeu nos braços da mãe, dizendo com a voz tensa:
— Mamãe, aquele menino é muito bravo. Maia não quer ir para a escola...
Lília Andrade não esperava que aquilo fosse assustá-la tanto, e um sorriso de resignação surgiu em seu rosto. Contudo, não queria forçar Maia a aceitar a situação e decidiu levá-la para casa por enquanto.
Ao entrarem em casa, a pequena mal falou, parecendo ainda remoer a imagem que vira. Lília Andrade explicou-lhe:
— Maia, não tenha medo. É normal que as crianças briguem. Às vezes, elas não sabem como resolver um desentendimento, por isso discutem um pouco. Depois que resolvem o mal-entendido, tudo fica bem.
Maia respondeu com sua voz infantil:
— Mas na outra escola não era assim. As crianças brincavam todas juntas e felizes!
Como Lília Andrade ousaria não recebê-lo? Ela balançou a cabeça apressadamente, pegou seu paletó e disse:
— Não é isso, apenas fiquei surpresa. Saiu mais cedo hoje? Pensei que estivesse muito ocupado com o trabalho.
Ao ouvir isso, Vicente Freitas deu uma risada baixa.
— Vim jantar com vocês. Já resolvi as questões mais urgentes. Sobre o que estavam conversando?
Enquanto falavam, caminharam até o sofá. Dona Amanda, muito perspicaz, serviu um copo d'água para Vicente Freitas. Lília Andrade sentou-se e contou-lhe sobre a visita à escola naquela tarde e como a pequena havia se assustado.
Depois de ouvir, Vicente Freitas também riu. Mas olhou com ternura para a pequena em seus braços e perguntou com uma voz suave:
— Por que Maia está com medo? É porque teme ser maltratada? Ou porque o menino era bravo?
Na presença do pai, Maia respondeu com sinceridade:
— Os dois...
Vicente Freitas afagou a cabeça da menina e perguntou novamente:
— E o que faria Maia não ter mais medo?

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