Ao ouvi-la dizer isso, e ao se lembrar dos eventos da noite passada, Vicente Freitas se perguntou se o efeito das drogas no corpo dela havia passado e sua memória retornado.
Em todo caso, o melhor de tudo era que ela não o tinha esquecido.
Uma situação como a da noite anterior também era uma tortura para Vicente.
Ele não queria nunca mais sentir o gosto de ser esquecido por ela.
Vicente não explicou o que havia ocorrido. Ele a olhou com carinho e disse: — Você dormiu tanto que eu achei que tivesse se esquecido de mim.
Já que não me esqueceu, levante-se e vá se lavar. Você não comeu ontem à noite, então pedi ao Ramon que comprasse café da manhã; não passe fome.
— Está bem.
Lília Andrade sorriu suavemente e foi carregada por ele para se lavar.
Quando ela saiu, Ramon Pinheiro havia de fato voltado com o café da manhã.
Talvez levando em conta o estado do corpo dela, o desjejum preparado foi um mingau de milheto bem leve.
Depois de comer, Lília decidiu que queria ter alta do hospital.
Embora fosse médica, ela não gostava muito do cheiro de desinfetante no hospital.
Como ela parecia bem, Vicente concordou com o que ela queria e mandou Ramon tratar da papelada.
Mas naquele momento, Lília de repente exibiu uma expressão de dor. Ela agarrou a cabeça, sentindo como se os nervos fossem rasgados internamente, enquanto uma dor aguda atacava em ondas...
— Lília, o que houve?
O rosto de Vicente mudou ligeiramente, e ele se apressou em ampará-la enquanto apertava o botão para chamar o médico: — Não tenha medo, o médico já vem.
Lília não conseguia escutar o que ele dizia. Ela sentia como se sua cabeça tivesse sido partida ao meio, doía terrivelmente.
Depois que a crise passou, tudo diante de seus olhos começou a se tornar estranho.
Lília percebeu que estava apoiada nos braços de um homem que ela não conhecia.
Ela tomou um susto enorme e imediatamente empurrou a pessoa à sua frente. Com o mesmo olhar desconfiado e alerta da noite anterior, ela perguntou: — Quem... é você?
O rosto de Vicente mudou drasticamente.
Ramon, que acabara de voltar, ficou boquiaberto com a cena. Voltando a si, girou nos calcanhares e correu para fora: — Vou chamar um médico agora mesmo!
O médico foi praticamente arrastado por Ramon, e ao entrar, sob a pressão no ambiente, reexaminou Lília.
— O que o senhor diz? — Vicente perguntou em voz alta, olhando para Lília com os olhos repletos de preocupação profunda.
O médico suspirou e disse: — O caso da Srta. Andrade é um pouco raro. Ela deve ter tido contato com substâncias irregulares.
Esse tipo de medicamento não é estável e age estimulando os nervos para causar confusão na memória e, por fim, amnésia.
Mas a Srta. Andrade tem uma grande força de vontade. Talvez ela mesma tenha sentido que estava para esquecer, e lutou muito contra isso, por isso chegou a esse estado.

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