É claro que Vicente Freitas também havia percebido. O rosto dele escureceu de repente, como se estivesse formando uma enorme tempestade. Lançando um olhar cheio de fúria para Ronaldo Silva, ele o questionou: — O que você fez com a Lília?!
— Eu não fiz nada com ela!
Ronaldo Silva também franziu a testa.
Ele queria manter Lília Andrade ali, não queria que ela fosse embora.
Mas mesmo assim, ele não havia pensado em machucá-la.
Agora, ele a valorizava e protegia; como poderia fazer algo do tipo?
O estado atual de Lília Andrade também o preocupou muito.
Vicente Freitas perdeu a paciência. A aura gelada que ele exalava fez os seguranças da família Silva recuarem, sem ousar avançar com facilidade.
— Ramon Pinheiro, mande as pessoas vigiarem lá embaixo, não deixem a Lília cair!
Vicente Freitas marchou direto para dentro: — Quanto ao resto, se alguém ousar me impedir, morre!
Seus passos eram apressados, e os seguranças da família Silva só então se lembraram de seus deveres.
— Rápido, parem ele!
Eles até tentaram impedir, mas não tiveram sequer a chance de chegar perto.
Não houve a necessidade de Vicente agir. Ramon Pinheiro sozinho valia por dez; qualquer um que ousasse avançar, ele simplesmente chutava para longe, limpando o caminho para o seu chefe.
Vicente subiu as escadas a passos largos e rapidamente encontrou o quarto onde Lília estava.
Ao entrar pela porta, viu Lília Andrade encolhida no canto da varanda, segurando a cabeça, com uma expressão de dor e sofrimento.
O coração de Vicente Freitas apertou de repente, como se tivesse sido esmagado por uma mão.
— Lília!
Em poucos passos, ele chegou até ela e a amparou, seu tom demonstrando clara preocupação: — Lília, o que houve? Onde dói?
— Minha cabeça dói... dói muito...
Depois de dizer isso, ela voltou a bater na própria cabeça com força.
Quando foi que Vicente a vira em tamanho sofrimento? O rosto dele ficou sombrio.
Naquele estado em que ela se encontrava, as coisas pareciam muito erradas!
Vicente não disse mais nada, e se preparou para pegá-la no colo e levá-la ao hospital.
Mas, naquele momento, Lília Andrade recuperou um fio de sanidade e estado de alerta, empurrando-o quando ele se aproximou: — O que... você está fazendo? Para onde vai me levar? Eu não vou...
O olhar dela para ele pareceu se tornar estranho.
Vicente ficou atônito.
Não vai?
Ele tinha ouvido direito?
Vicente achou que ela não o tinha reconhecido, então falou depressa, tentando despertá-la: — Lília, sou eu...

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