Roberto Lacerda não disse muito e desceu empurrando a cadeira de rodas de Ronaldo Silva.
Os homens de Vicente Freitas já haviam aberto caminho.
Ele invadiu a casa de forma imponente, usando um sobretudo preto que o deixava com uma aparência extremamente afiada.
Em suas feições belas e marcantes, não havia nenhuma expressão aparente, apenas um ar gelado.
Embora ele não tivesse levantado um dedo, aos olhos dos seguranças contratados por Valéria Barbosa, ele era a existência mais perigosa do lugar.
Aquela aura, como a de um rei supremo, deixava claro que, se ele agisse, ninguém teria chance de revidar.
Ao ver Vicente assim, a expressão de Ronaldo ficou ainda mais fria.
Ele questionou sem cerimônia: — O que o Diretor Freitas quer dizer com isso? Invadir uma casa como um bandido? Pelo seu comportamento, nós podemos chamar a polícia.
— Polícia?
Vicente falou em um tom calmo, levantando os olhos com indiferença. Seu olhar, tão imóvel quanto um poço antigo, varreu o homem na escada. Com um sorriso de escárnio no canto dos lábios, ele disse: — Vocês da família Silva sequestraram a minha mulher e eu sequer chamei a polícia. Que direito vocês têm de chamar a polícia?
— Comportamento de bandido? O Presidente Silva está se fazendo de vítima? Quer que a polícia convide a família Silva para prestar depoimento?
No momento em que viu Vicente Freitas, Ronaldo Silva entendeu o motivo de sua vinda.
Esta noite, Lília Andrade estava descansando lá em cima.
Depois de tanto tempo, era a primeira vez que ela estava tão perto dele, e o coração de Ronaldo sentia uma paz inédita.
Ele estava hesitando se deveria mantê-la ali.
Embora fosse um pouco desavergonhado, ele poderia fazer com que ela ficasse ao seu lado para sempre.
Agora, ao ver Vicente aparecer, esse pensamento se tornou ainda mais forte.
Ele não queria deixá-la ir.
Além de motivos egoístas, havia também seu orgulho.
Ali era o território dele, não ia tolerar a insolência de um forasteiro como Vicente Freitas!
Com o cenho franzido, Ronaldo ordenou aos homens ao seu lado: — Parem eles! Sem as minhas ordens, ninguém entra!
O olhar de Vicente ficou um pouco mais frio: — Ronaldo Silva, foi você quem quebrou o acordo primeiro.
A sua família Silva levou Maia da Cidade Capital sem permissão.
O direito que foi dado a você de visitar Maia pode ser revogado por Lília.
Além disso, levar a menina sem avisar pode ser classificado como sequestro perante a lei.
Reter a Lília é cárcere privado.
Se a família Silva ainda tiver um pingo de dignidade, deveria entregá-la. Caso contrário...
Ele não terminou a frase, mas a implicação era clara.
A aura nobre e gélida que emanava de Vicente Freitas esmagava completamente Ronaldo Silva.
Ronaldo Silva também percebeu isso.
Dois homens que deveriam ter a mesma presença, mas pelo fato de ele estar em uma cadeira de rodas, inexplicavelmente parecia inferior.
Sua expressão ficou cada vez mais fria, mas ele também deixou sua posição clara.

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