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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 232

Celeste entendeu perfeitamente.

Lendo nas entrelinhas.

Concluiu que, na visão da empregada, ela era a tola ingrata que não sabia dar valor ao que tinha.

Deu um sorriso gélido e indecifrável.

Não tocou na xícara de chá, muito menos se deu ao trabalho de refutar Dona Glenda. Discutir com quem se recusa a enxergar a realidade era um desperdício de energia; só servia para esgotar sua sanidade.

— Eu mesma guardo as minhas coisas. Não precisam se preocupar com isso.

Ela sabia.

Tendo sido forçada a voltar para aquela casa pela matriarca, não haveria a menor chance de permitir que ela fizesse um escândalo para sair novamente.

Se batesse o pé e resistisse cegamente, a notícia chegaria aos ouvidos da velha senhora, o que a enfureceria e resultaria em chantagens usando o cancelamento do divórcio.

Não havia necessidade de bater de frente naquele momento.

Certas batalhas precisavam ser vencidas com estratégia.

Notando que Celeste não faria oposição nem insistiria em ir embora, Dona Glenda sorriu e assentiu.

— Vou pedir para levarem tudo lá para cima. A senhora pode organizar no seu tempo.

Com medo de que Celeste mudasse de ideia.

Apressou-se em ordenar aos funcionários.

— Levem tudo para a suíte principal.

Celeste leu facilmente as intenções mesquinhas de Dona Glenda, mas estava cansada demais para argumentar.

Era uma tática para impedi-la de dormir em outro quarto que não fosse o do casal.

Mas, por mais que a velha senhora a obrigasse a voltar, ela não poderia vigiá-los para garantir que os dois dormissem juntos, não é mesmo?

Os empregados carregaram as caixas escada acima.

Celeste aproveitou para perguntar a Dona Glenda.

— Qual é o novo número do Gregório?

Dona Glenda suspirou intimamente.

Marido e mulher, e ela sequer sabia o número dele. Chegar àquele ponto, após tantos anos de casamento, era algo lamentável e raro.

Como era de se esperar.

Dona Glenda tinha o novo número.

Sentada na sala de estar, Celeste ligou para Gregório.

Acontecesse o que acontecesse.

Esperava que ele voltasse logo para resolver aquela situação.

Tu, tu, tu...

Desta vez a chamada completou e alguém atendeu do outro lado.

— Quem fala? O Gregório ainda está descansando.

Restava-lhe subir e organizar sua bagagem.

Afinal de contas.

Ela não poderia se mudar imediatamente nos próximos dias.

Enquanto não tivesse a certidão de divórcio em mãos, precisaria manter a cabeça baixa e evitar confrontos.

Sabendo perfeitamente que Dona Glenda atuava como os olhos e ouvidos da matriarca, Celeste não tomou atitudes impulsivas. Apenas caminhou de volta para a suíte principal, o quarto onde habitara por sete longos anos.

Desde que saíra daquela casa.

Retornar trazia consigo uma sutil, porém inegável, sensação de estranheza.

Especialmente.

Pelo fato de a suíte ser imensa e possuir uma parede de fotos projetada por um designer de interiores, com molduras arranjadas de forma extremamente conceitual.

Ao longo daqueles sete anos, ela havia preenchido cada espaço daquela parede com memórias.

Havia fotos do casamento, retratos individuais dela e também imagens de Gregório.

Mas, naquele instante...

Restavam pouquíssimas fotografias.

Ela sabia o paradeiro das fotos do casamento: Luana as havia queimado todas.

Contudo, os seus retratos individuais também haviam sido removidos e sumido sem deixar vestígios.

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