Ela pousou o copo de leite, levantou-se e veio ao encontro de Beatriz com uma expressão de alívio e preocupação.
— Irmã! Você finalmente voltou! Onde você estava? Nós ficamos preocupados demais!
Enquanto falava, estendeu a mão para segurar a de Beatriz.
Beatriz virou o corpo com frieza e evitou o toque.
A mão de Larissa ficou suspensa no ar, rígida, constrangida.
Os olhos dela se encheram de vermelho num instante, e ela olhou para Beatriz como quem fora injustiçada.
— Irmã… você ainda está com raiva da gente?
Miguel bateu os talheres com força na mesa — pá! — e se levantou, apontando para Beatriz e disparando:
— Beatriz! Você ainda tem coragem de voltar?!
— Você tem ideia de que, por sua causa, a família Lima rompeu o acordo?! Você fez a família Andrade passar vergonha!
Felipe também estava com o rosto fechado; encarou-a e a repreendeu em voz baixa e dura:
— Ajoelhe.
Beatriz permaneceu ereta, sem sequer erguer as pálpebras.
Apenas varreu a sala com um olhar indiferente.
Então falou devagar:
— Eu não voltei hoje para ouvir a conversa fiada de vocês.
— Eu vim transferir o meu Registro Geral.
Todos ficaram atônitos.
Transferir… o RG?
O que aquilo significava?
Isabel foi a primeira a entender e soltou outro grito agudo:
— O quê?! Sua ingrata de olhos virados! A família Andrade te criou até hoje e agora, porque se acha grande, quer cortar relações?!
— Eu te digo uma coisa: nem pensar!
Miguel também voltou a si e começou a xingá-la:
— Beatriz, você enlouqueceu? Quer se desvincular da família Andrade? Quem você pensa que é?! Sem a família Andrade, você é o quê?!
Felipe cravou os olhos em Beatriz.
Após dois dias desaparecida, quase violentada, ela voltava — e ele não perguntava se ela estava bem; apenas exigia que ela “devolvesse a vida”.
Era risível.
Beatriz puxou o canto da boca num sorriso de escárnio.
— Quer a minha vida? Pode pegar. Mas eu tenho medo de que o senhor não consiga pagar o preço.
— Você!
Felipe tremia de raiva; até o dedo com que a apontava sacudia.
Matheus, que permanecera em silêncio, finalmente falou:
— Beatriz, pare com isso.
— Eu sei que o que aconteceu nos últimos dias foi errado. Nós te fizemos sofrer.
— Mas foi para o seu bem. Larissa sempre teve a saúde frágil e um coração simples; ela só pode contar com a proteção da família.
— Você é diferente: tem capacidade, tem talento. Não precisa do apoio da família Andrade.
— Família não guarda rancor de um dia para o outro. Peça desculpas ao pai e isso acaba aqui. Seja obediente.
---

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico