Entrar Via

No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 67

Naquele dia, a chuva caiu pesada.

Alguns garotos de uniforme do Colégio Sakura Santa mantinham um adolescente amarrado com força ao parapeito do terraço.

O líder era o filho de um novo-ricos de Capital, exibido, arrogante, convencido de que mandava em tudo.

Ele segurava um taco de beisebol e batia, uma vez após a outra, no rosto do rapaz amarrado.

— Que porra é essa de bancar o orgulhoso?

— Você acha que ainda é aquele Sr. Guilherme, lá em cima, intocável?

— Vou te dizer: agora você é um vira-lata que está prestes a perder até a casa!

— Seu pai já foi parar lá dentro. Você ainda tem dinheiro pra pagar mensalidade, hein?!

A água da chuva, misturada ao sangue, escorria devagar pelo rosto bonito e pálido do rapaz.

O canto da boca sangrava, e a camisa branca do uniforme estava marcada por pegadas enlameadas.

Ainda assim, por mais destruído que estivesse, ele mantinha a coluna ereta.

Ele encarava aqueles garotos sem dizer uma única palavra.

O olhar era de desafio — e de uma ferocidade quase animal.

O coração de Beatriz se contraiu com violência.

Naquele rapaz, ela viu a própria sombra.

Aquela sensação de ser isolada pelo mundo e pisada por todos, a revolta que não encontrava saída.

Ela não sabia de onde tirara coragem.

Talvez a indignação acumulada por tempo demais, naquele instante, tivesse encontrado um lugar para explodir.

Num canto ao lado, ela apanhou um cano de ferro abandonado e, com toda a força do corpo, golpeou um grande tambor de metal no terraço.

— CLANG!

O estrondo, ensurdecedor, se espalhou pelo espaço vazio!

Os garotos que agrediam o rapaz estremeceram por instinto.

— Quem está aí?!

Eles olharam, alertas, na direção do som.

Aproveitando a distração, Beatriz puxou o ar e gritou, com a voz no limite:

— O coordenador disciplinar está vindo!

A voz tremia de tensão e medo, mas saiu alta, cortante.

O rapaz ergueu a cabeça e pousou o olhar nela.

Não havia gratidão — apenas irritação e cautela.

— Some.

Beatriz parou, mas não foi embora.

Em silêncio, tirou do bolso do uniforme desbotado um lenço dobrado com cuidado, de tecido com pequenas flores.

Era a única coisa limpa que ela tinha.

Ela se aproximou, ergueu-se na ponta dos pés e, com movimentos desajeitados, tentou limpar o sangue do rosto dele.

Guilherme virou o rosto por reflexo, tentando escapar.

Mas, por mais atrapalhada que fosse, havia teimosia na delicadeza dela.

O toque macio caiu sobre a pele gelada de sua face.

Guilherme congelou.

Ele ficou olhando para aquela garota diante dele — mais baixa, magra demais, frágil como um broto.

---

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico