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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 66

A não ser que… ele estivesse tramando outra coisa.

Mas o que ainda havia nela que valesse a pena ser alvo de algum plano?

Beatriz não conseguia entender, por mais que pensasse.

Ela ergueu os olhos discretamente e lançou um olhar rápido para o homem não muito longe.

Ele estava de costas para ela, diante da enorme janela do chão ao teto, com uma das mãos enfiada no bolso do roupão e a outra sustentando uma taça de vinho tinto. A postura era indolente e, ao mesmo tempo, elegante.

Do lado de fora, brilhava a noite de Capital.

Milhares de luzes se acendiam como um mar distante, pequenas como faíscas aos seus pés.

E ele parecia o soberano sombrio que dominava aquela galáxia de estrelas.

Distinto, poderoso, inalcançável.

Sentindo o olhar confuso atrás de si, os pensamentos de Guilherme, sem que ele conseguisse impedir, voltaram muitos e muitos anos no tempo.

Dez anos antes, no Colégio Nobre Sakura Santa.

Era a instituição mais cobiçada de Capital, aquela pela qual os herdeiros das grandes famílias fariam qualquer coisa para entrar.

E, aos dezesseis anos, Beatriz era a peça mais fora do lugar ali dentro.

Ela tinha sido trazida havia pouco tempo pela família Andrade da casa da avó, no interior.

O sotaque do interior, as roupas antigas já desbotadas de tanto lavar… em meio aos jovens ricos, impecáveis e de fala refinada, ela parecia um patinho feio que, por engano, havia entrado no meio dos cisnes.

Todos a olhavam com desprezo.

E a sua “boa irmã”, Larissa, era a mais exemplar nesse tipo de crueldade.

Na frente de todos, Larissa se pendurava no braço dela com intimidade e a chamava de “irmã mais velha”.

Por trás, porém, junto das “amigas” que dizia ter, usava todos os meios para isolá-la e humilhá-la.

Derramavam tinta dentro da mochila, rasgavam os cadernos de dever em pedaços.

Chegaram até a trancá-la no depósito de materiais, vazio, durante a aula de educação física.

Beatriz não deixara de pedir ajuda à família Andrade.

Firmino Guimarães fora incriminado, atolado em processos, e a empresa estivera à beira da falência.

O antigo Príncipe Herdeiro do Capital, antes cercado de bajuladores, tornara-se da noite para o dia alguém de quem todos queriam distância, como se fosse uma praga.

Os que antes o seguiam, chamando-o de “Sr. Guilherme” com reverência, viraram os carrascos que mais o pisoteavam.

A situação dele era ainda pior do que a que a família Monteiro enfrentara quando quebrou.

Porque ele tinha estado alto demais — e a queda, por isso, fora mais cruel.

Pela primeira vez, Beatriz sentiu com clareza a brutalidade e o realismo do mundo.

Foi numa tarde chuvosa.

Para fugir do cerco de Larissa e das outras, ela correu sem rumo e subiu até o terraço do último andar do prédio.

Então viu a cena que jamais esqueceria.

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