Quando Larissa terminou, a sala mergulhou num silêncio mortal.
Todos ficaram atônitos com a “ousadia” daquela proposta.
Fazer Beatriz entrar num casamento de conveniência?
E ainda por cima com um homem quase vinte anos mais velho?
Isabel foi a primeira a reagir.
Bateu na coxa com força, os olhos brilhando.
— Minha Larissa! Você é genial! Como é que eu não pensei nisso?!
— Que ideia boa! Boa demais!
Ela agarrou as mãos da filha, exaltada.
— Está vendo? Larissa é quem sabe aliviar o peso desta casa!
Felipe hesitou. Ele não amava Beatriz, mas vender a filha como mercadoria soaria mal.
— Isso... isso não é demais? Beatriz... ela aceitaria?
— Aceitar ou não, quem liga?! — Miguel rosnou. — Ela comeu e bebeu da família Andrade, foi criada por nós por mais de vinte anos. Chegou a hora de retribuir!
Lucas permaneceu calado, como se consentisse.
Mas eles se esqueciam: três meses após o nascimento de Beatriz, Isabel convencera Felipe a mandá-la para o interior, para a casa da avó materna.
O tempo em que Beatriz realmente vivera na família Andrade não passara de dez anos.
No fim, todos olharam para o primogênito, Matheus.
O rosto de Matheus não exibiu emoção.
Ele analisou com frieza:
— A viabilidade é alta.
— Beatriz, divorciada e com a reputação danificada, é um problema que pode explodir a qualquer momento. E do lado de Sr. Henrique, ele precisa justamente de uma esposa como ela: escolaridade elevada e capaz de acompanhá-lo socialmente.
Tirou do bolso interno do paletó algumas fotos e um currículo impresso, impecavelmente organizado, e colocou diante de Henrique.
— Sr. Henrique, perdoe a ousadia. Sei que o senhor aprecia talentos, então gostaria de lhe apresentar uma jovem promissora.
Henrique pegou as fotos e ficou um instante imóvel.
Na imagem, uma jovem de jaleco simples estava diante de uma bancada de laboratório, de perfil. A luz do sol atravessava a janela e caía sobre ela, como se a envolvesse em brilho.
O rosto era de uma beleza limpa e rara; a presença, clara como água.
Sobretudo os olhos — brilhantes, concentrados, como se guardassem um mar de estrelas.
— Quem é... ela? — o pomo de Adão de Henrique subiu e desceu.
Matheus sorriu e empurrou o currículo na direção dele.
— É minha irmã, Beatriz.
Ele não mencionou o divórcio. No currículo, destacara apenas a formação extraordinária dela e o recente resultado científico que causara repercussão internacional.

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