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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 41

A mão de Beatriz, que segurava a xícara de chá, estacou de súbito.

O ar no escritório pareceu solidificar-se naquele instante.

Ela ergueu lentamente o olhar para Dr. Marcos.

Ele mantinha o mesmo sorriso afável, como se estivesse a mencionar algo absolutamente corriqueiro.

Percebendo a hesitação dela, acrescentou, sorrindo:

— Não me interprete mal. Eu faço isto para o seu bem.

— Usar o meu nome para solicitar recursos à direção, ou para publicar em periódicos de primeira linha, é muito mais prático do que usar o seu, e tem mais chance de passar.

— Você ainda é jovem. Tem um caminho longo pela frente. Agora, o mais importante é acumular experiência, não disputar essas vaidades.

— Para você, entrar como segunda autora já é muito bom. Não é?

As palavras soaram irrepreensíveis, impecavelmente embaladas.

A apropriação nua e crua fora embrulhada como “mentoria” e “cuidado”.

O calor que Beatriz sentira há pouco no consultório de Dr. Wellington fora apagado por aquela ducha de água fria.

Era uma cena terrivelmente familiar.

No passado, Larissa também usara o rosto mais inocente, dissera as frases mais gentis e, depois, tomara como natural que o trabalho de Beatriz lhe pertencesse.

Beatriz acreditara que o Instituto Rivelan de Pesquisa seria um recomeço, um porto seguro.

Não imaginara que ali também haveria lobos à espreita.

O direito de autoria era, para qualquer pesquisador, um cartão de visita — o símbolo do reconhecimento.

Ela não cederia.

Mas também entendia: recém-chegada, sem base alguma, se rompesse no primeiro dia com alguém de poder dentro do instituto, provavelmente não conseguiria dar um passo no futuro.

A mão apoiada no colo apertou-se devagar.

No rosto, ela forçou um sorriso sereno.

— Dr. Marcos, o senhor tem razão. Minha experiência ainda é limitada; de fato, preciso aprender mais com os mais antigos.

— Poder permanecer na sua equipe já é uma honra para mim.

Então veio uma explosão.

— Eu não acredito! Esse velho sem vergonha! Roubar resultado de artigo? Por que não vai assaltar banco?!

— “Pelo seu bem”? Eu cuspo nessa desculpa! É tão absurda quanto as desculpas que aquele poodle do prédio inventa quando entra no cio!

Clarinda xingou sem parar, tomada de fúria.

Ouvindo a amiga defendê-la, Beatriz sentiu que a pequena brasa de calor dentro do peito voltava a acender.

Ela soltou uma risada baixa.

— Você ainda consegue rir? — Clarinda parecia à beira do desespero. — O que você vai fazer? Brigar com o chefe logo no primeiro dia? Então vamos embora! Se aqui não te querem, outro lugar vai querer! Com a sua competência, você arruma trabalho em qualquer canto!

— Não.

A voz de Beatriz saiu suave, mas carregada de uma firmeza inédita.

— Eu não vou embora.

— Por quê?

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