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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 38

Clarinda olhou para ela e, de repente, teve a sensação de que Beatriz realmente não era mais a mesma.

Naqueles olhos claros já não havia o amor por Heitor, nem a expectativa pela família, nem a dor de ter sido ferida.

Agora, tudo isso tinha desbotado, restando apenas uma calma límpida, quase fria.

— Ding-dong —

A campainha tocou de repente.

Clarinda ficou alerta.

— Quem é? Não me diga que são jornalistas.

Ela foi até a porta e espiou pelo olho mágico.

Do lado de fora, havia dois homens de terno preto e luvas brancas, postura impecável, presença firme — não pareciam gente comum.

Ao lado deles, um enorme caixote de madeira, com proteção contra impacto.

— A Srta. Beatriz? — perguntou um deles, com voz educada e distante.

Clarinda não abriu. Falou através da porta:

— Quem são vocês? O que querem com ela?

— Viemos a pedido do Sr. Guilherme entregar um presente à Srta. Beatriz.

Sr. Guilherme?

Clarinda e Beatriz trocaram um olhar.

Beatriz hesitou, mas ainda assim fez sinal para Clarinda abrir.

— Srta. Beatriz, boa tarde.

O homem à frente inclinou-se levemente e entregou um cartão.

— Este é um presente enviado por ordem do Sr. Guilherme. Por favor, assine o recebimento.

Beatriz pegou o cartão. Havia apenas um sobrenome e um número.

“Guimarães”.

O olhar dela caiu sobre o caixote enorme, cheia de dúvida.

— O que é isso?

— Um conjunto de componentes para instrumentos de laboratório, escolhido pelo Sr. Guilherme. Ele disse que talvez lhe seja útil — respondeu o homem, impecável.

Componentes de laboratório?

Na sala ficaram apenas Beatriz, Clarinda e o caixote enorme.

— Anda! Abre logo! Presente do Príncipe Herdeiro… o que será que é? — Clarinda estava mais excitada do que ela.

O caixote foi aberto.

Havia camadas e mais camadas de espuma anti-impacto.

Quando levantaram a primeira camada, as duas prenderam a respiração.

Lá dentro não havia joias, nem bolsas de grife.

Havia um conjunto de peças metálicas, de precisão extrema.

Era o módulo de microscopia confocal a laser de alta precisão da série limitada “Poeira Estelar”, recém-lançada por uma empresa alemã!

Aquele conjunto era equipamento de ponta absoluta na área dela — e nem sempre se conseguia comprar, mesmo com dinheiro: exigia aprovações e certificações.

Na tese, ela mencionara apenas de passagem que, se tivesse aquele equipamento como suporte, o próximo projeto encurtaria muito o ciclo de desenvolvimento.

E, ainda assim…

Ele tinha visto.

Ele tinha entendido.

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