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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 11

Depois de ser rejeitada por Rivelan, Beatriz ficou paralisada por um bom tempo.

Hesitou por longos minutos antes de abrir um contato salvo como Felipe, querendo ligar e arrancar de algum lugar um fiapo de consolo.

Mas, assim que a chamada foi completada, o sistema avisou que a linha estava sem crédito.

Só então ela se lembrou: aquele número era um chip adicional de Heitor.

Ele tinha bloqueado a linha dela.

Beatriz soltou um sorriso amargo, abriu a gaveta, pegou o cartão bancário que havia feito na época da faculdade e saiu para pagar a conta.

No atendimento, entregou o cartão à funcionária.

— Bom dia. Vim pagar.

A funcionária passou o cartão e franziu a testa, confusa.

— Senhora, desculpe… o seu cartão… está bloqueado.

— O quê? — Beatriz achou que tinha escutado errado.

— O seu cartão está bloqueado. — a funcionária repetiu, paciente.

Beatriz ficou imóvel, incapaz de reagir.

Aquele cartão guardava tudo o que ela tinha conquistado antes do casamento: bolsas de estudo, royalties de transferência de patente, a última reserva que ainda era só dela.

Quando Heitor tinha congelado aquilo?

Pânico e raiva a agarraram pelo peito. Ela saiu do local quase correndo, andando pela rua como quem tinha perdido a alma.

Queria voltar para casa, queria se enfiar em algum lugar e desaparecer.

Mas voltar para onde?

Para a família Monteiro? Matheus certamente voltaria a humilhá-la.

E para o apartamento do casamento com Heitor… ela nem sequer sabia a senha da porta.

Ela levantou a mão e parou um táxi.

— Senhor, para o Residencial Lótus.

Era o pequeno imóvel que ela tinha alugado para virar noites pesquisando, com um ano inteiro pago adiantado.

Ao chegar, o taxímetro marcava: trinta e seis.

Beatriz pegou o celular.

— Paga aqui. — o motorista apontou para o QR Code.

Ela enquadrou e confirmou.

[Pagamento falhou]

Lá dentro havia apenas uma cama e uma mesa grande de estudos. Ela fazia tempo que não aparecia; o lugar estava empoeirado.

Mas já não se importava.

Abraçou os joelhos e ficou sentada no escuro a noite inteira.

Quando o céu começou a clarear, Beatriz saiu cambaleando.

Queria voltar para a família Andrade.

Agora ela não tinha nada — acusada, insultada, desprezada por Heitor.

Mas ainda tinha o pai.

Ela só… queria recuperar um pouco de calor humano.

Ainda que fosse só um fio, o suficiente para provar que, um dia, alguém a esperou; que ela já fez parte daquela casa.

Mesmo que fosse um copo de água morna, uma fruta descascada…

Só um pouco… um pouco bastava.

Ela veio a pé e, quando chegou à Mansão Andrade, ainda eram nove da manhã.

Beatriz abriu a porta com a chave reserva e entrou de mansinho, quase sem respirar.

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